12 de maio de 2026
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Cade abre investigação sobre venda bilionária da Serra Verde e coloca Goiás no centro da disputa global por terras raras

Negócio de R$ 13,8 bilhões envolvendo mineradora instalada em Minaçu será analisado pelo órgão antitruste; operação amplia interesse estratégico dos Estados Unidos sobre minerais críticos fora da China
Serra Verde: operação que vendeu mina de terras raras em Minaçu será avaliada (Divulgação/Mineradora Serra Verde)

A venda da mineradora Serra Verde Pesquisa e Mineração para a empresa americana USA Rare Earth (USAR) entrou oficialmente na mira do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A Superintendência-Geral do órgão instaurou procedimento administrativo para analisar os impactos concorrenciais da operação bilionária anunciada em abril, avaliada em US$ 2,8 bilhões — cerca de R$ 13,8 bilhões na cotação atual.

A apuração busca verificar se a negociação configura um “ato de concentração econômica” sujeito à obrigatoriedade de notificação ao Cade, além de avaliar possíveis efeitos sobre o mercado internacional de minerais estratégicos. A investigação foi divulgada nesta segunda-feira (11) e ocorre em meio ao avanço da corrida global por terras raras, consideradas fundamentais para indústrias de alta tecnologia, defesa, transição energética e mobilidade elétrica.

Instalada em Minaçu, no norte de Goiás, a Serra Verde é atualmente a única empresa em operação no Brasil voltada à extração de terras raras em escala industrial. O projeto goiano ganhou relevância internacional nos últimos anos devido ao potencial de produção de minerais críticos usados na fabricação de ímãs permanentes, turbinas eólicas, baterias, veículos elétricos, semicondutores e equipamentos militares.

Segundo informações apresentadas ao Cade, a negociação prevê a criação de uma multinacional integrada do setor de terras raras, reunindo operações no Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido. A estrutura projetada inclui atividades de mineração, processamento químico, separação mineral, metalização e fabricação de ímãs industriais, formando uma cadeia verticalizada considerada estratégica para reduzir a dependência global da China.

O movimento também ocorre em um cenário geopolítico sensível. Atualmente, a China domina grande parte da cadeia mundial de produção e refino de terras raras, controlando tecnologia, capacidade industrial e exportações. Diante disso, os Estados Unidos intensificaram investimentos e parcerias internacionais para garantir fornecimento alternativo desses minerais considerados críticos para segurança nacional e competitividade industrial.

Além da aquisição, a Serra Verde informou que assinou um acordo de fornecimento de longo prazo, válido por 15 anos, comprometendo 100% da produção inicial da mina a uma empresa de propósito específico financiada pelo governo norte-americano e investidores privados. O contrato reforça o interesse estratégico dos EUA sobre a produção brasileira.

Em comunicado, o Cade destacou que a abertura do procedimento não significa, necessariamente, existência de irregularidades ou impedimentos à operação. O órgão esclareceu que a investigação preliminar servirá para determinar se a transação precisa ser formalmente submetida ao sistema brasileiro de defesa da concorrência e se há risco de concentração econômica relevante.

Ao final da análise, a Superintendência-Geral poderá arquivar o caso, aprovar a operação ou abrir processo administrativo aprofundado para avaliação concorrencial.

Especialistas do setor mineral avaliam que Goiás passa a ocupar posição central no mercado internacional de minerais críticos. Estudos recentes apontam que o Brasil possui uma das maiores reservas conhecidas de terras raras do planeta, embora ainda tenha participação reduzida na produção global. A expectativa da USA Rare Earth é que a operação em Minaçu represente, até 2027, mais da metade do fornecimento mundial de terras raras pesadas fora da China.

A movimentação também amplia debates sobre soberania mineral, segurança estratégica, controle de cadeias produtivas críticas e valorização econômica dos recursos naturais brasileiros em um mercado cada vez mais pressionado pela transição energética global.

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Marcus

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