Bets ilegais expõem crianças e adolescentes a riscos, alerta ANJL
Dados do Ministério da Justiça mostram que mais da metade dos jovens apostadores pode desenvolver transtornos relacionados ao jogo.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) classificou como alarmantes os dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) nesta terça-feira (26), que indicam que 55% dos jovens entre 14 e 17 anos que apostam em plataformas de bets correm riscos de desenvolver transtornos relacionados ao jogo.
O levantamento inédito acendeu um alerta sobre a crescente exposição de crianças e adolescentes a sites de apostas, especialmente os que operam de forma clandestina no Brasil. Segundo a ANJL, a proliferação de plataformas ilegais, que funcionam sem autorização do governo federal e sem mecanismos de segurança, é um dos principais fatores para o agravamento desse cenário.
Jogos clandestinos e falta de controle
De acordo com Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL, a ausência de controle nas bets ilegais permite o fácil acesso de menores de idade, uma prática proibida por lei, mas que tem sido amplamente ignorada pelas plataformas clandestinas.
“Precisamos de medidas urgentes para reverter essa situação. O acesso de menores a apostas on-line tem ocorrido em larga escala nas bets ilegais. Sem dispositivos de segurança, essas plataformas facilitam a entrada de crianças e adolescentes e os incentivam a jogar. Estamos empenhados em colaborar com os órgãos competentes para combater esse cenário preocupante”, afirmou Jorge.
A legislação brasileira proíbe jogos de apostas para menores de 18 anos, e nos sites regulados pelo governo, o acesso só é liberado após um cadastro rigoroso, que exige CPF e reconhecimento facial para confirmar a identidade do apostador. No entanto, nos sites clandestinos, não há qualquer verificação de idade, o que abre uma porta perigosa para crianças e adolescentes.
Responsabilidade e crimes associados
Além da atuação das plataformas ilegais, a ANJL também destacou a negligência de pais e responsáveis, que muitas vezes emprestam seus dados para que menores tenham acesso às apostas.
“Temos dois problemas principais: os sites ilegais, que não apenas permitem, mas incentivam a entrada de menores, e a negligência de adultos que liberam o acesso. Em ambas as situações, estamos falando de crimes graves”, ressaltou o presidente da ANJL.
A entidade reforçou que é essencial a regulamentação mais rígida do setor, além de campanhas de conscientização para evitar que jovens fiquem vulneráveis ao vício e a outros riscos associados ao jogo descontrolado.
Com os novos dados revelados pelo Ministério da Justiça, o debate sobre o impacto das apostas online para crianças e adolescentes ganha mais urgência, aumentando a pressão por ações concretas para fechar o cerco contra as plataformas ilegais e proteger os menores de idade.
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