Acordo Mercosul-UE pode abrir mercado para Goiás, mas efeitos relevantes devem aparecer apenas no longo prazo
Secretário estadual aponta potencial para agronegócio e indústria, mas afirma que ainda é cedo para medir resultados concretos; redução tarifária será gradual e deve ocorrer ao longo de até sete anos.

A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia representa um novo capítulo para o comércio exterior brasileiro e pode criar oportunidades relevantes para a economia goiana nos próximos anos. Apesar do cenário promissor, autoridades e especialistas avaliam que os benefícios mais significativos para o Estado ainda deverão ocorrer de forma gradual, acompanhando o cronograma de implementação das medidas previstas no tratado.
Considerado um dos mais importantes acordos comerciais já firmados pelo bloco sul-americano, o tratado estabelece a redução progressiva de tarifas de importação e exportação para milhares de produtos, ampliando o acesso ao mercado europeu, formado por cerca de 450 milhões de consumidores e uma das economias mais relevantes do mundo.
Para Goiás, cuja economia possui forte vocação agroindustrial e exportadora, a expectativa é de fortalecimento da competitividade em setores estratégicos como produção de grãos, proteínas animais, café, derivados do agronegócio, couro, mineração e indústria de transformação.
O secretário de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás, Joel de Sant’Anna Braga, destaca que a retirada das tarifas ocorrerá de forma escalonada, permitindo uma adaptação gradual das cadeias produtivas e dos fluxos comerciais entre os dois blocos econômicos.
Segundo ele, embora exista um ambiente favorável para a expansão dos negócios internacionais, ainda não é possível mensurar com precisão os efeitos que o acordo produzirá sobre a economia goiana.
“O acordo ainda está em fase inicial de implementação. Existem regulamentações e procedimentos que precisam ser consolidados antes que possamos avaliar de forma concreta os impactos para as empresas do Estado”, observou.
A avaliação do governo estadual é que a nova configuração comercial poderá ampliar a presença de empresas goianas em mercados considerados altamente exigentes, especialmente em segmentos que já possuem forte inserção internacional. Além da redução tarifária, o acordo tende a facilitar o intercâmbio comercial, estimular investimentos e fortalecer relações econômicas entre empresas brasileiras e europeias.
Outro aspecto considerado relevante é a possibilidade de inclusão de pequenas e médias empresas no comércio internacional. Com a diminuição gradual de barreiras econômicas e comerciais, empreendimentos que antes enfrentavam dificuldades para acessar mercados externos poderão encontrar novas oportunidades de expansão.
Nos últimos anos, Goiás consolidou posição de destaque entre os estados exportadores do país. A produção agropecuária, aliada ao crescimento industrial, transformou o Estado em importante fornecedor de commodities agrícolas, carnes, minérios e produtos manufaturados para diversos mercados internacionais. Nesse contexto, o acordo surge como uma ferramenta capaz de ampliar a competitividade dos produtos goianos diante de concorrentes globais.
Entretanto, especialistas em comércio exterior ressaltam que os efeitos econômicos dependerão de fatores que vão além da redução das tarifas. Questões relacionadas à logística, infraestrutura, certificações sanitárias, exigências ambientais, inovação tecnológica e capacidade produtiva continuarão sendo determinantes para o sucesso das empresas interessadas em ampliar sua atuação no mercado europeu.
O governo de Goiás já iniciou tratativas com representantes da União Europeia e entidades ligadas ao comércio internacional para identificar oportunidades estratégicas e preparar o setor produtivo para as mudanças que deverão ocorrer nos próximos anos. A expectativa é que esse processo contribua para ampliar a inserção das empresas goianas em cadeias globais de valor e fortaleça a presença do Estado no cenário internacional.
Embora os impactos imediatos ainda sejam limitados, a avaliação predominante entre agentes públicos e representantes do setor produtivo é de que o acordo poderá gerar efeitos estruturais relevantes no médio e longo prazo. A ampliação do acesso a mercados, o estímulo à competitividade e a atração de investimentos figuram entre os principais benefícios esperados para a economia goiana à medida que as regras forem sendo plenamente implementadas.
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