ABREMA aponta indícios graves de vazamento de chorume no aterro municipal de Goiânia
Associação nacional do setor de resíduos contesta versão da Comurg, alerta para riscos ambientais e à saúde pública e cobra apuração técnica rigorosa diante de falhas estruturais no empreendimento.

A Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA) voltou a manifestar preocupação técnica e ambiental com a situação do aterro municipal de Goiânia, após a divulgação de imagens que mostram escorrimento de líquidos escuros pelos taludes do empreendimento em meio a episódios de chuva. Para a entidade, os registros são compatíveis com vazamento de chorume, ainda que a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) negue a ocorrência.
Segundo a ABREMA, as características visuais do efluente, especialmente a coloração escura, são típicas do chorume, líquido altamente poluente resultante da decomposição de resíduos sólidos e da percolação da água da chuva pela massa aterrada. O material possui elevada carga orgânica, altas concentrações de nitrogênio amoniacal, além de compostos tóxicos de difícil tratamento, o que exige sistemas específicos de captação, drenagem e tratamento, conforme as normas ambientais e as boas práticas de engenharia sanitária.
A associação ressalta que aterros sanitários devidamente projetados devem contar com drenagem eficiente de águas pluviais, justamente para reduzir a geração e a dispersão do chorume. No caso de Goiânia, a ABREMA avalia que as evidências apontam para deficiências estruturais e operacionais, aproximando o local de um lixão controlado, e não de um aterro sanitário plenamente adequado às exigências técnicas. Para a entidade, atribuir o líquido observado exclusivamente à água da chuva ignora o papel da precipitação como fator agravante da geração e do carreamento do chorume.
Outro ponto destacado é o escorrimento do efluente para áreas externas à massa de resíduos, inclusive sobre superfícies sem impermeabilização adequada, o que indica falhas nos sistemas de contenção e drenagem. Essa condição amplia o risco de contaminação do solo e do lençol freático, além de comprometer a estabilidade geotécnica do maciço, já que imagens também evidenciam processos erosivos nos taludes. Tais fatores elevam o risco de acidentes ambientais e estruturais, com potenciais impactos diretos à saúde pública.
Diante do cenário, a ABREMA defende a abertura de apuração técnica independente, com transparência total das informações, monitoramento ambiental contínuo e a adoção imediata de medidas corretivas. A entidade reforça que o cumprimento da legislação ambiental vigente, aliada a soluções técnicas adequadas, é indispensável para mitigar impactos, proteger a população e garantir a segurança ambiental na capital.
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