Prefeitura de Goiânia licita reconstrução de trecho da Avenida T-63 por R$ 5,19 milhões
Obra prevê recuperação de quase 2 quilômetros da principal ligação entre setores da região sul da capital, com novo asfalto e pavimento de concreto nas paradas de ônibus

A Prefeitura de Goiânia abriu licitação para reconstruir um dos trechos mais deteriorados da Avenida T-63, na região sul da capital. O projeto prevê a recuperação de aproximadamente 1,98 quilômetro da via, entre a Avenida C-107 e a Praça Wilson Sales, abrangendo áreas dos setores Jardim América e Nova Suíça.
O valor máximo estimado para a contratação é de R$ 5.199.504,28, com recursos provenientes de contrato de repasse firmado entre o município e a União, com participação da Caixa Econômica Federal. A sessão pública para recebimento e abertura das propostas está marcada para 22 de setembro, pelo Portal de Compras do governo federal.
A intervenção foi planejada diante das condições atuais do pavimento. Conforme os documentos técnicos que integram o processo licitatório, levantamentos realizados na avenida identificaram problemas como trincas, deformações e desgaste significativo da camada de rolamento.
Um dos defeitos apontados é o chamado “couro de jacaré”, expressão utilizada na engenharia rodoviária para descrever uma rede de fissuras interligadas no pavimento. Esse tipo de deterioração pode indicar perda das condições funcionais do revestimento e, quando não tratado adequadamente, tende a exigir intervenções de manutenção cada vez mais frequentes.
Projeto prevê retirada do asfalto deteriorado
A solução prevista pela Prefeitura não se limita à aplicação de uma nova camada de asfalto sobre o pavimento existente. O projeto estabelece a realização de fresagem contínua, processo pelo qual a camada deteriorada é removida mecanicamente antes da aplicação do novo revestimento.
Ao todo, a intervenção deverá alcançar cerca de 42,7 mil metros quadrados de pavimento flexível. A previsão é retirar uma camada de aproximadamente sete centímetros e executar novo revestimento com concreto betuminoso usinado a quente, conhecido pela sigla CBUQ.
Nos locais destinados às paradas de ônibus, a solução será diferente. O pavimento flexível deverá ser substituído por placas de concreto armado, uma alternativa utilizada para suportar esforços concentrados e repetitivos provocados pela frenagem, parada e saída dos veículos do transporte coletivo.
A proposta, segundo o projeto, é recuperar as condições de circulação do trecho e melhorar o desempenho funcional do pavimento.
Obra ainda depende da conclusão da licitação
Apesar de a Prefeitura já ter definido o projeto e publicado o edital, os trabalhos ainda não começaram. Primeiro será necessário concluir o processo de contratação e definir a empresa vencedora.
A concorrência será julgada pelo critério de maior desconto sobre o orçamento estabelecido pela administração municipal. O edital também estabelece parâmetros para a análise da viabilidade das propostas apresentadas pelas empresas participantes.
Depois da contratação e da emissão da ordem de serviço, o prazo previsto para execução da obra é de 120 dias corridos, enquanto a vigência total do contrato será de dez meses.
O cronograma financeiro está dividido em etapas vinculadas à evolução física dos serviços. Entre os marcos previstos estão a mobilização do canteiro, sinalização da área, fresagem, execução do novo asfalto, implantação do pavimento rígido nas paradas de ônibus e conclusão dos serviços.
Levantamento definitivo será feito antes da obra
Os documentos técnicos fazem uma ressalva importante sobre o projeto. O levantamento utilizado para elaboração inicial dos quantitativos foi baseado principalmente em inspeção visual e informações obtidas em campo, sem a realização de determinados ensaios estruturais mais aprofundados.
Por isso, antes da execução, a empresa contratada deverá realizar levantamento topográfico e cadastral completo para conferir as condições existentes e ajustar as cotas necessárias à execução.
A medida busca adequar o projeto às condições efetivamente encontradas no local e definir com maior precisão os níveis e acabamentos da intervenção.
T-63 ficou fora de contratos anteriores
A situação do trecho não é recente. Segundo as informações que acompanham o processo, a última intervenção completa de recapeamento da Avenida T-63 ocorreu entre 2012 e 2013, durante a implantação do corredor de transporte coletivo e da ciclovia.
Desde então, o trecho recebeu intervenções pontuais de manutenção. O projeto atual foi estruturado justamente para substituir a lógica de reparos localizados por uma intervenção de maior alcance.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) informou que o trecho não foi incluído nos atuais contratos de reconstrução asfáltica por falta de saldo de quantitativos. A pasta também trabalha na preparação de uma nova licitação de abrangência municipal, que poderá contemplar outros segmentos da T-63 e demais vias que necessitem de reconstrução.
Intervenção não é a mesma dos novos corredores de transporte
A Prefeitura também esclareceu que a reconstrução asfáltica licitada agora não faz parte da contratação destinada à elaboração de projetos executivos para corredores preferenciais de transporte coletivo.
São iniciativas diferentes. O projeto dos corredores envolve um conjunto mais amplo de soluções de mobilidade, incluindo itens como acessibilidade, ciclovias, drenagem, iluminação, sinalização e semaforização.
A obra da T-63 tratada neste edital tem como foco principal a recuperação do pavimento existente no trecho definido.
Contratada terá garantia de cinco anos
O edital prevê ainda responsabilidade da empresa contratada pela solidez e segurança dos materiais e serviços executados. A garantia estabelecida é de cinco anos, contados a partir do recebimento da obra.
Até a conclusão do processo licitatório, portanto, ainda não há empresa responsável pela execução nem data definida para o início efetivo dos trabalhos.
A expectativa da administração municipal é avançar com a contratação para enfrentar um dos pontos mais deteriorados da Avenida T-63. Para os motoristas e usuários do transporte coletivo, o resultado concreto dependerá das próximas etapas: conclusão da licitação, contratação, emissão da ordem de serviço e execução da reconstrução prevista no projeto.
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