Greve na educação de Goiânia: nova proposta para servidores deve sair até segunda-feira
Prefeitura e trabalhadores ainda não chegaram a um acordo; categoria cobra recomposição da carreira e aguarda nova rodada de negociação antes de decidir os próximos passos da paralisação

A greve dos servidores administrativos da educação de Goiânia entrou em uma nova etapa de negociação nesta quinta-feira (20), com a expectativa de que uma nova proposta da Prefeitura seja apresentada à categoria até segunda-feira (24). O entendimento ainda não foi alcançado, e os trabalhadores deverão avaliar a eventual oferta para decidir se mantêm ou encerram a paralisação.
A possibilidade de uma nova proposta foi anunciada durante as discussões sobre o movimento na Câmara Municipal de Goiânia. Conforme informações apresentadas no plenário, representantes dos servidores e do Executivo municipal devem continuar as tratativas entre esta quinta e sexta-feira, em busca de uma alternativa para reduzir o impasse.
A paralisação é realizada pelos servidores administrativos efetivos da rede municipal de educação e tem como principal origem a reivindicação por atualização da carreira e recomposição salarial. A categoria sustenta que os vencimentos acumulam defasagem ao longo dos últimos anos.
Negociação tenta superar impasse
A discussão ganhou novos contornos depois que a Prefeitura apresentou uma proposta de atualização da tabela salarial dos servidores administrativos. Segundo o líder do prefeito na Câmara, vereador Wellington Bessa, trata-se da primeira proposta de atualização da tabela apresentada pelo município em 15 anos.
A proposta, entretanto, não foi considerada suficiente pelos representantes dos trabalhadores. De acordo com a vereadora Ludmylla Morais, que acompanha as negociações, os servidores inicialmente defendiam a criação de um novo plano de carreira, mas posteriormente aceitaram flexibilizar a reivindicação para discutir especificamente a atualização da tabela.
Segundo a parlamentar, a legislação relacionada à carreira, aprovada em 2011, teria sido aplicada até 2016. A partir daí, a diferença entre os reajustes vinculados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e a evolução do salário mínimo teria contribuído para ampliar a defasagem apontada pelos servidores.
A categoria também contesta o prazo estabelecido na proposta apresentada pelo município. Conforme relatado por Ludmylla, a recomposição discutida envolve 12% entre níveis e 2% entre letras, com previsão de implementação parcelada até 2030.
Para os trabalhadores, o cronograma é considerado longo. A Prefeitura, por outro lado, sustenta que a apresentação de uma nova tabela representa um avanço e que o processo ainda pode ser aperfeiçoado durante as negociações.
Tribunal de Justiça acompanha negociação
O conflito também chegou ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO). Na terça-feira (18), representantes dos servidores participaram de uma audiência de conciliação, mas não houve acordo entre as partes.
Após a reunião, o desembargador Augusto Ventura determinou que a comissão responsável pelas negociações voltasse a se reunir entre quinta e sexta-feira para tentar construir uma solução.
As novas conversas podem resultar em uma proposta a ser submetida aos trabalhadores na segunda-feira (24). A decisão sobre a continuidade da greve, contudo, caberá à própria categoria.
O cenário, portanto, ainda é de negociação. A eventual apresentação de uma nova proposta não significa automaticamente o fim da paralisação.
Categoria diz ter flexibilizado reivindicações
A pauta dos servidores passou por mudanças durante o processo de negociação. Segundo Ludmylla Morais, a reivindicação inicial era por uma tabela salarial equiparada à do quadro geral da Prefeitura de Goiânia.
Posteriormente, os trabalhadores teriam aceitado concentrar a discussão em uma recomposição da tabela existente, numa tentativa de facilitar o entendimento com o Executivo.
A parlamentar afirma que, diante dessa flexibilização, os servidores esperam uma nova sinalização da administração municipal capaz de aproximar os valores e os prazos pretendidos pela categoria daqueles apresentados pela Prefeitura.
Do outro lado, Wellington Bessa afirmou que não considera os servidores intransigentes e reconheceu a necessidade de discutir a valorização profissional. O vereador defendeu a continuidade do diálogo e a construção de uma solução por meio de propostas e contrapropostas.
Greve atinge área administrativa das escolas
A paralisação não envolve todos os profissionais da educação municipal. O movimento é formado pelos servidores administrativos efetivos.
Segundo os números apresentados durante o debate na Câmara, a rede possui mais de 5,8 mil servidores efetivos e mais de 3,6 mil temporários na área administrativa. A greve, entretanto, é realizada pelos efetivos.
Esses trabalhadores desempenham atividades essenciais ao funcionamento cotidiano das unidades, incluindo atendimento, organização documental, limpeza, alimentação escolar e apoio a estudantes, entre outras funções administrativas e operacionais.
A paralisação, por isso, pode afetar a rotina das escolas, especialmente serviços que dependem diretamente da presença desses profissionais.
Justiça determina manutenção de 70% do efetivo
Durante a greve, a Justiça determinou a manutenção de pelo menos 70% do efetivo em atividade.
Segundo as informações apresentadas pela vereadora, os servidores vêm cumprindo a determinação judicial. Ela também relatou reclamações relacionadas às condições de algumas unidades, principalmente em relação à limpeza.
A situação deverá continuar sendo acompanhada enquanto durar a paralisação e permanecerem as negociações entre a Prefeitura e os representantes dos trabalhadores.
Próxima segunda-feira será decisiva
A expectativa agora está concentrada nas novas reuniões entre representantes da categoria e do município. Caso as negociações avancem, uma nova proposta poderá ser apresentada aos servidores na segunda-feira (24).
A categoria deverá avaliar os termos oferecidos pela Prefeitura e decidir se considera a proposta suficiente para encerrar a paralisação ou se manterá o movimento.
Até lá, não há acordo definitivo entre as partes. A greve dos servidores administrativos da educação de Goiânia permanece, portanto, como um impasse em negociação, enquanto Prefeitura e trabalhadores tentam encontrar uma solução para a defasagem apontada na carreira.
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