OpenAI desativa equipe que avaliava riscos graves de inteligência artificial.
Grupo Preparedness analisava possíveis ameaças associadas a modelos avançados; atribuições foram redistribuídas para equipes especializadas da empresa

A OpenAI encerrou, no fim de julho, a equipe conhecida como Preparedness, responsável por avaliar riscos graves ou potencialmente catastróficos associados aos modelos de inteligência artificial desenvolvidos pela companhia. As funções não foram simplesmente eliminadas: segundo informações do Financial Times, parte das responsabilidades passou a ser distribuída entre equipes já existentes, com profissionais dedicados a áreas específicas, como biotecnologia e segurança cibernética.
A mudança representa uma nova reorganização na estrutura de segurança da empresa responsável pelo ChatGPT e ocorre em um período de intensas alterações internas. A OpenAI vem reformulando equipes e posições de liderança enquanto avança na preparação para uma possível abertura de capital, movimento que pode transformar significativamente a estrutura corporativa da companhia.
O que fazia a equipe Preparedness
A área tinha uma função diferente da segurança tradicional de produtos. Seu trabalho estava voltado à análise de cenários em que modelos de IA mais avançados poderiam apresentar riscos de grande escala.
Entre as atividades estava a avaliação da capacidade dos sistemas de provocar consequências graves e o desenvolvimento de estratégias para reduzir esses riscos antes ou durante a implantação dos modelos.
Esse tipo de trabalho é conhecido no setor de inteligência artificial como AI preparedness, conceito relacionado à preparação das empresas para possíveis capacidades perigosas ou inesperadas de sistemas avançados.
Com a reorganização, a OpenAI optou por distribuir essas atribuições de acordo com a natureza do risco. Questões relacionadas à biologia e à cibersegurança, por exemplo, passaram a ser tratadas dentro de estruturas existentes.
Responsável pela área muda de função
Dylan Scandinaro, que havia ingressado na OpenAI em fevereiro, após trabalhar na Anthropic, deixou a liderança da estrutura de Preparedness.
Segundo pessoas familiarizadas com a mudança ouvidas pelo Financial Times, Scandinaro passou a concentrar suas atividades nas implicações de sistemas de inteligência artificial com capacidade de aprimoramento recursivo — cenário no qual sistemas poderiam participar do aperfeiçoamento de suas próprias capacidades ou contribuir para o treinamento de outros modelos.
A mudança, portanto, não representa necessariamente a retirada de Scandinaro da área de segurança. O que foi alterado é a estrutura organizacional e o escopo de sua atuação.
Reorganização ocorre após outras mudanças
A dissolução da Preparedness se soma a uma sequência de transformações nas estruturas internas da OpenAI.
Nos últimos anos, a empresa também encerrou equipes relacionadas à preparação para a chamada inteligência artificial geral, além do grupo de superalignment, criado para pesquisar mecanismos capazes de manter sistemas muito mais avançados alinhados aos objetivos humanos.
O processo também foi acompanhado pela saída de profissionais ligados a diferentes áreas da companhia. Entre os nomes mencionados nas reportagens recentes estão Chloé Bakalar, que atuava na área de ética, Josh Achiam, então ligado à função de Chief Futurist, e Johannes Heidecke, que ocupava posição de liderança em segurança.
A sucessão de mudanças alimentou discussões internas e externas sobre o peso que as atividades de segurança devem ter em uma empresa submetida a forte pressão para desenvolver novos produtos e ampliar sua presença comercial.
Ex-funcionário critica prioridade dada pela empresa
As mudanças também provocaram críticas de antigos integrantes da OpenAI.
Jan Leike, que deixou a companhia em 2024 depois de atuar na liderança da equipe de superalignment, afirmou ao Financial Times que a segurança estaria perdendo espaço diante da busca por novos produtos. A declaração representa a avaliação pessoal de um ex-funcionário e não comprova, por si só, que a empresa tenha abandonado seus mecanismos de segurança.
A própria reorganização descrita pelas fontes indica que determinadas funções de avaliação de risco continuam existindo, embora tenham deixado de estar concentradas em uma equipe específica.
Segurança passa a ser distribuída
A principal mudança, portanto, está no modelo organizacional.
Em vez de uma equipe centralizada dedicada à preparação para riscos graves, a OpenAI passou a distribuir responsabilidades entre estruturas especializadas. A estratégia pode permitir que determinados riscos sejam tratados diretamente por equipes com conhecimento específico de cada área, mas também altera a forma como o trabalho de preparação é coordenado dentro da empresa.
O debate ganha importância à medida que os modelos de inteligência artificial avançam em capacidades relacionadas a programação, cibersegurança, biologia e autonomia. Quanto maiores essas capacidades, maior também é a necessidade de identificar previamente possíveis formas de uso indevido ou comportamentos inesperados.
A reorganização acontece, ainda, em um momento de forte pressão empresarial sobre a OpenAI. Segundo o Financial Times, a companhia atravessa uma série de mudanças administrativas enquanto seu CEO, Sam Altman, acelera os preparativos para uma possível oferta pública inicial de ações. O jornal informou que a empresa poderia buscar uma avaliação de até US$ 1 trilhão, embora uma abertura de capital ainda seja uma possibilidade, e não um evento confirmado.
A OpenAI, por sua vez, tem defendido que as mudanças fazem parte de um processo de simplificação e integração das áreas, enquanto a companhia busca concentrar esforços em seus principais produtos e na competição pelo mercado corporativo.
Assim, o encerramento da Preparedness não significa que a OpenAI tenha deixado de trabalhar com segurança de inteligência artificial. O que mudou foi onde e como essas responsabilidades são exercidas dentro da organização. A transformação, porém, mantém aberto o debate sobre a estrutura mais adequada para avaliar riscos de sistemas cada vez mais capazes e sobre o equilíbrio entre velocidade de desenvolvimento, interesses comerciais e segurança tecnológica.
Tags: #OpenAI, #InteligenciaArtificial, #IA, #ChatGPT, #SegurancaDeIA, #AI, #Tecnologia, #SegurancaCibernetica, #Ciberseguranca, #InteligenciaArtificialGenerativa, #SamAltman, #DylanScandinaro, #Preparedness, #Tecnologia2026, #Inovacao, #ModelosDeIA, #IAAvancada, #SegurancaDigital, #GoiâniaUrgente


