Funcionária é investigada por suspeita de desviar mais de R$ 500 mil de supermercado, em Aparecida
Polícia Civil apura suposto desvio de dinheiro do caixa de estabelecimento no Parque Trindade; investigada, de 22 anos, foi presa em flagrante e liberada após audiência de custódia
Uma funcionária de 22 anos é investigada pela Polícia Civil de Goiás por suspeita de desviar mais de R$ 500 mil de um supermercado localizado no Parque Trindade, em Aparecida de Goiânia. A investigação começou depois que a administração do estabelecimento identificou aumento nas diferenças entre os valores registrados e o dinheiro efetivamente encontrado nos fechamentos de caixa.
Segundo o delegado Henrique Berocan, responsável pela apuração, as divergências teriam aumentado aproximadamente 20%, o que levou os responsáveis pelo supermercado a verificar mais detalhadamente a movimentação dos caixas.
Durante a investigação, a Polícia Civil analisou imagens do estabelecimento que, segundo os investigadores, mostram a funcionária retirando cédulas durante procedimentos de fechamento sem que os valores fossem destinados ao caixa. Conforme a polícia, no dia em que ocorreu a prisão em flagrante, teria sido identificada uma retirada de R$ 1.428.
A apuração também levou os investigadores a analisar informações relacionadas a depósitos bancários realizados pela suspeita. De acordo com a Polícia Civil, foram obtidos registros de conversas entre funcionários de uma casa lotérica onde ela costumava realizar depósitos.
A polícia também informou ter encontrado, durante diligências, anotações em um caderno na residência da investigada. O material deverá ser analisado no decorrer da investigação para verificar se possui relação com os valores que são objeto da apuração.
A mulher chegou a ser presa em flagrante, mas foi colocada em liberdade após passar por audiência de custódia. A investigação continua para determinar o valor efetivamente envolvido e esclarecer toda a dinâmica dos fatos.
A suspeita é investigada por furto qualificado mediante fraude, mas eventual responsabilização criminal dependerá da conclusão da investigação e da análise do caso pela Justiça. Até o momento, não há condenação.
Defesa contesta acusações
A defesa da investigada afirmou que as informações divulgadas sobre o caso não correspondem aos fatos e que as acusações serão contestadas pelas vias legais.
A Polícia Civil prossegue com a apuração para reunir elementos que permitam esclarecer a origem das diferenças financeiras, identificar o período em que os supostos desvios teriam ocorrido e estabelecer, de forma precisa, o eventual prejuízo causado ao estabelecimento.
O caso permanece sob investigação.
Nota da defesa
“A defesa da investigada, diante da repercussão pública que vem sendo atribuída ao caso, esclarece que as informações divulgadas não refletem os fatos e sequer correspondem ao que foi efetivamente registrado no procedimento policial.
Inicialmente, causa especial surpresa à defesa a divulgação de valores totalmente destoantes daqueles que constaram da própria ocorrência que deu origem à prisão ilegal. O forjado flagrante fazia referência a suposto desvio de pouco mais de R$ 1.000,00 (mil reais), sendo, portanto, absolutamente incompatível com a imputação de desvio milionário que passou a ser publicamente veiculada.
A prisão já foi submetida ao Poder Judiciário, que, em audiência de custódia, reconheceu sua ilegalidade e restituiu imediatamente a liberdade da investigada.
A defesa registra, ainda, que houve ingresso na residência da investigada durante o período noturno e sem mandado judicial, circunstância totalmente ilegal. Apesar da medida arbitrária, não foram encontrados na residência valores ou quaisquer outros elementos que confirmassem a narrativa de desvio patrimonial que vem sendo divulgada.
Também preocupa a defesa a dimensão midiática que vem sendo conferida ao episódio, especialmente pela divulgação de informações que extrapolam os próprios elementos que deram origem à ocorrência policial. A investigação deve transcorrer pelos meios legalmente previstos, com respeito ao devido processo legal, à presunção de inocência e aos direitos fundamentais da investigada, e não por meio de prejulgamentos ou exposição pública desproporcional.
A investigada mantém vínculo profissional há mais de cinco anos com a empresa envolvida, e a defesa está igualmente atenta a eventuais repercussões da situação sobre essa relação de trabalho, que deverão observar rigorosamente a legislação aplicável e não podem ser antecipadas ou legitimadas por acusações levianas.
Por respeito à investigação e, sobretudo, para preservar a investigada de exposição ainda maior, a defesa não autoriza a divulgação de seu nome, de sua imagem ou de elementos que violem sua privacidade e, neste momento, não antecipará publicamente outros elementos probatórios, nem teses defensivas.
A defesa confia no esclarecimento dos fatos pelas autoridades competentes e reafirma que as imputações serão firmemente contestadas pelos meios próprios, com a demonstração, no curso da investigação, da realidade dos acontecimentos e da falsidade das acusações.”
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