Quatro capivaras são encontradas mortas no Jardim Botânico de Goiânia; causa segue sob investigação
Animais foram localizados em um intervalo de menos de um mês no Lago 2 do parque. Agência Municipal de Meio Ambiente aguarda resultados de exames antes de apontar a origem das mortes.

Quatro capivaras foram encontradas mortas entre os dias 22 de junho e 17 de julho no Lago 2 do Jardim Botânico de Goiânia, localizado às margens da Avenida Botafogo, no Jardim das Esmeraldas. As circunstâncias das mortes ainda são investigadas pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), que afirma não haver, até o momento, elementos técnicos suficientes para determinar o que provocou os óbitos.
Segundo informações oficiais, apenas um dos animais pôde ser submetido à necropsia. As outras três capivaras foram encontradas em avançado estado de decomposição, condição que impossibilitou a realização de exames periciais capazes de identificar a causa da morte. Até o momento, o laudo técnico do único animal encaminhado para análise não foi divulgado.
Em nota, a Amma informou que aguarda a conclusão dos exames laboratoriais e das avaliações técnicas antes de emitir qualquer conclusão sobre o caso. O órgão também ressaltou que, até agora, não foram identificados indícios que permitam relacionar as mortes a alterações ambientais ou a algum tipo de intervenção humana.
Outro ponto destacado pela agência é que, durante as ocorrências, não foi registrada mortandade de peixes nem de outras espécies da fauna existente no parque. Conforme a administração municipal, o Jardim Botânico permanece aberto ao público e segue funcionando normalmente.
Ocorrências foram registradas ao longo de 25 dias
Os registros ocorreram em um período aproximado de 25 dias. O primeiro animal foi encontrado na manhã de 22 de junho. O segundo apareceu quatro dias depois e foi o único encaminhado para exames técnicos. As outras duas capivaras foram localizadas nos dias 2 e 17 de julho.
Os animais encontrados sem condições para análise laboratorial foram enterrados na própria área do parque, conforme os procedimentos adotados pela administração do local.
Especialistas descartam conclusões sem exames
A sucessão de mortes gerou especulações entre moradores da região, incluindo a possibilidade de relação com a febre maculosa. No entanto, especialistas destacam que não há qualquer confirmação nesse sentido.
A bióloga Camilla Lima explica que as capivaras são os principais hospedeiros do carrapato-estrela (Amblyomma sculptum), vetor da bactéria responsável pela febre maculosa em seres humanos. Segundo ela, esses animais normalmente não desenvolvem a doença, atuando apenas como hospedeiros naturais do carrapato.
De acordo com a especialista, outras hipóteses somente poderão ser avaliadas após a conclusão dos exames. Entre as possibilidades estão doenças de diferentes origens, intoxicações ou outros fatores ambientais, sempre condicionados aos resultados das análises técnicas. A própria Amma informou que, até o momento, não há indícios de problemas na qualidade da água ou do solo que justifiquem as mortes.
Moradores relatam acidentes frequentes com capivaras
Embora considerem incomum a sequência de mortes dentro do lago, moradores da região afirmam que atropelamentos envolvendo capivaras ocorrem ocasionalmente nas vias próximas ao Jardim Botânico, especialmente durante a noite, quando os animais costumam deixar a área de mata em busca de alimento.
Quem vive nas proximidades também relata que é raro observar as capivaras durante o dia. Segundo especialistas, esse comportamento faz parte da adaptação da espécie ao ambiente urbano e à intensa circulação de pessoas.
Espécie encontra ambiente favorável em áreas urbanas
Consideradas os maiores roedores do mundo, as capivaras possuem hábitos semiaquáticos e dependem da presença de água para alimentação, descanso e reprodução. A disponibilidade desses recursos faz com que parques urbanos, lagos e áreas verdes se tornem ambientes adequados para a permanência da espécie.
Especialistas explicam que a expansão das áreas urbanas, aliada à capacidade de adaptação desses animais, tem contribuído para o aumento da presença de capivaras em cidades brasileiras, especialmente em locais que oferecem condições ambientais favoráveis.
Enquanto os exames laboratoriais não são concluídos, a causa das quatro mortes permanece oficialmente indeterminada. A expectativa é que os laudos técnicos orientem as próximas medidas dos órgãos ambientais e esclareçam se houve algum fator comum entre os casos registrados no Jardim Botânico.
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