Goiânia identifica 221 pontos de descarte irregular e prepara monitoramento com câmeras
Levantamento da Amma revela áreas críticas de descarte clandestino; Prefeitura amplia fiscalização enquanto estuda novos ecopontos para reduzir o problema ambiental na capital

Goiânia enfrenta um desafio crescente na gestão de resíduos sólidos. Um levantamento elaborado pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) identificou pelo menos 221 pontos de descarte irregular de lixo distribuídos pela capital. Paralelamente, o Consórcio Limpa Gyn, responsável pela limpeza urbana do município, estima que o número real possa chegar a aproximadamente mil locais, indicando que o problema é ainda mais abrangente do que o registrado oficialmente.
Diante desse cenário, a Prefeitura prepara uma nova etapa de fiscalização ambiental, que prevê a instalação de câmeras de videomonitoramento nos pontos já mapeados. Segundo a Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic), o objetivo é ampliar a capacidade de identificação dos responsáveis pelo descarte clandestino, fortalecer a fiscalização e reduzir a reincidência da prática.
O levantamento da Amma foi elaborado a partir de informações encaminhadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra), responsável pelo contrato com o Consórcio Limpa Gyn. O documento integra um banco de dados voltado à gestão de resíduos sólidos, reunindo indicadores, áreas críticas, ecopontos, cooperativas de reciclagem, coleta seletiva e outras informações utilizadas no planejamento das políticas públicas ambientais.
Além de subsidiar ações de fiscalização, o cadastro servirá como base para monitoramento da Política Municipal de Resíduos Sólidos, elaboração de projetos, captação de recursos e prestação de contas aos órgãos de controle.
Lixo se acumula em diferentes bairros
Durante visitas realizadas a alguns dos locais apontados no levantamento, foram encontrados resíduos domésticos, restos de poda, pneus, móveis descartados, madeira e entulho da construção civil.
Entre os pontos identificados estão áreas no Jardim Califórnia e no Jardim Novo Mundo, onde o descarte irregular ocorre de forma recorrente. Também foram constatados locais que sequer constam no mapeamento oficial, demonstrando que o problema pode ser ainda maior.
Em muitos desses espaços existem placas alertando sobre a proibição do descarte e informando que as áreas são monitoradas. Mesmo assim, o acúmulo de resíduos continua sendo registrado.
Diferença entre ecopontos e pontos provisórios
Parte dos descartes ocorre nas proximidades dos Pontos de Descarte Provisório (PDPs), implantados pela Prefeitura para receber pequenos volumes de resíduos inorgânicos.
Criados em 2025 como alternativa temporária, os PDPs passaram a complementar os ecopontos já existentes na cidade. No entanto, segundo a Amma, muitos desses locais passaram a receber materiais incompatíveis com sua finalidade, como grandes volumes de entulho transportados por caçambas, resíduos orgânicos, pneus e materiais provenientes de atividades empresariais.
Essas ocorrências configuram descarte irregular e podem resultar em sanções administrativas e ambientais.
Fiscalização intensifica combate ao descarte clandestino
A Secretaria Municipal de Eficiência afirma que mantém equipes em atuação permanente para fiscalizar áreas críticas e atender denúncias da população.
Recentemente, duas operações resultaram na aplicação de multas por descarte irregular de resíduos em Goiânia. Em uma delas, uma empresa foi autuada após o flagrante de despejo ilegal de entulho nos fundos de um estabelecimento comercial. Em outra ação, um proprietário de lava jato foi penalizado por descartar resíduos às margens do Córrego Capim Puba.
Dependendo da quantidade de resíduos, da localização do descarte e dos impactos ambientais provocados, a prática pode configurar crime ambiental, além de gerar multas e outras sanções previstas na legislação.
As denúncias podem ser encaminhadas pelos canais oficiais da Prefeitura, permitindo que as equipes realizem a fiscalização dos locais informados.
Município estuda ampliar rede de ecopontos
Como parte da estratégia para reduzir o descarte clandestino, a Amma também desenvolve estudos para ampliar a rede de ecopontos em Goiânia.
Atualmente, a capital conta com cinco unidades permanentes destinadas ao recebimento de resíduos gerados por pequenos produtores, como recicláveis, móveis, eletrodomésticos, resíduos eletrônicos, pequenas quantidades de entulho, pneus, óleo de cozinha e restos de poda.
Segundo a agência, estudos técnicos avaliam sete novas áreas públicas com potencial para receber futuras unidades. Somente após a conclusão dessa etapa será possível iniciar o processo licitatório para implantação dos novos equipamentos, motivo pelo qual ainda não há previsão para o início das obras.
A ampliação da rede faz parte das medidas adotadas pela administração municipal para reduzir os chamados “pontos viciados” de descarte irregular, ampliar a destinação ambientalmente adequada dos resíduos e minimizar os impactos causados pelo lixo descartado de forma clandestina.
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