2 de junho de 2026
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Alego analisa suspensão de ação penal contra Amauri Ribeiro e debate acirra embate entre base e oposição

Pedido protocolado por líder partidário invoca prerrogativas constitucionais do mandato parlamentar, enquanto oposição questiona possível interferência em processo que tramita na Justiça Eleitoral.
Durante discussão na CCJ, deputada do PT afirmou que a proposta representa uma tentativa de interferência da Assembleia na atuação da Justiça Eleitoral | Foto: Reprodução

A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) iniciou a análise de um requerimento que pede a suspensão da ação penal em tramitação contra o deputado estadual Amauri Ribeiro (PL), após o recebimento de denúncia pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO). O tema provocou intenso debate político na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), evidenciando divergências sobre os limites da imunidade parlamentar e a relação entre os Poderes Legislativo e Judiciário.

A solicitação foi apresentada pelo líder da bancada do União Brasil na Casa, deputado Lincoln Tejota, com fundamento em dispositivos constitucionais que asseguram às assembleias legislativas a possibilidade de sustar o andamento de determinadas ações penais contra parlamentares durante o exercício do mandato.

Segundo o requerimento, os fatos investigados estariam relacionados ao exercício da atividade parlamentar e à manifestação de opiniões no ambiente político, circunstâncias que, na avaliação dos defensores da medida, justificariam a aplicação das garantias constitucionais destinadas à proteção da independência do Poder Legislativo.

A denúncia recebida pelo TRE-GO envolve suposta infração prevista no artigo 326-B do Código Eleitoral. O mérito da acusação permanece sob análise da Justiça Eleitoral, não havendo julgamento definitivo sobre o caso.

O pedido protocolado na Alego não discute a inocência ou culpabilidade do parlamentar. O objetivo é suspender temporariamente o andamento da ação penal enquanto durar o mandato, mecanismo previsto na Constituição Federal e reproduzido na legislação estadual para determinadas hipóteses envolvendo parlamentares.

Pelas normas regimentais da Assembleia, o requerimento precisa ser apreciado inicialmente pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação. Após emissão de parecer, a matéria poderá ser submetida ao plenário, onde dependerá da aprovação da maioria absoluta dos deputados estaduais para produzir efeitos.

A discussão, entretanto, encontrou resistência entre parlamentares da oposição. Durante sessão da CCJ, a deputada estadual Bia de Lima (PT) criticou a proposta e classificou a iniciativa como inadequada diante da tramitação do processo na Justiça Eleitoral.

Na avaliação da parlamentar, a Assembleia não deveria interromper o andamento de uma ação judicial regularmente instaurada. Ela argumentou que a defesa do deputado deve ocorrer nos autos do processo e que a imunidade parlamentar não pode ser interpretada como instrumento de afastamento da responsabilização judicial.

O debate também trouxe à tona discussões sobre a extensão das garantias parlamentares previstas na Constituição. Juristas costumam apontar que esses mecanismos foram concebidos para assegurar a independência dos mandatos eletivos e evitar interferências externas no funcionamento do Poder Legislativo. Por outro lado, críticos defendem interpretação mais restritiva dessas prerrogativas para evitar conflitos com os princípios da responsabilização e da igualdade perante a lei.

Ao final da sessão, a deputada Bia de Lima solicitou vista do processo, medida regimental que suspende temporariamente a votação e permite análise mais aprofundada da matéria. Com isso, a apreciação do parecer foi adiada e deverá retornar à pauta da CCJ antes de eventual deliberação em plenário.

A decisão da Assembleia poderá ter repercussão política e jurídica significativa, uma vez que envolve o equilíbrio entre garantias institucionais do mandato parlamentar e a continuidade de uma ação penal em curso na Justiça Eleitoral.

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Marcus

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