Governo de Goiás avança para liberar mineração na Chapada dos Veadeiros e acende alerta ambiental
Revisão de regras ambientais pode abrir espaço para exploração mineral em uma das áreas mais sensíveis e preservadas do Cerrado brasileiro; especialistas veem risco de degradação irreversível

O Governo de Goiás colocou em andamento uma revisão das regras ambientais da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto, medida que pode abrir caminho para a expansão da mineração na região da Chapada dos Veadeiros. A iniciativa, iniciada ainda na gestão de Ronaldo Caiado e mantida pela atual administração estadual, provocou reação de ambientalistas, pesquisadores e integrantes de comunidades tradicionais que vivem no entorno da unidade de conservação.
A discussão envolve a possível flexibilização do atual plano de manejo da APA, considerada uma espécie de cinturão de proteção do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, uma das áreas ambientais mais importantes do país e reconhecida internacionalmente pela biodiversidade, pelas nascentes e pela relevância ecológica do Cerrado.
Documentos técnicos apontam que o Estado avalia substituir restrições ambientais rígidas por um modelo de “compatibilização” entre conservação e atividade mineral. Na prática, a mudança pode permitir o avanço de projetos de exploração em áreas hoje protegidas por limitações ambientais mais severas.
Levantamentos ligados ao processo de revisão indicam a existência de centenas de requerimentos minerários protocolados junto à Agência Nacional de Mineração (ANM) dentro da APA de Pouso Alto. Parte significativa desses pedidos envolve minerais considerados estratégicos para a indústria global, como terras raras, manganês, níquel e cassiterita — insumos utilizados em baterias, tecnologia, transição energética e equipamentos industriais.
As áreas de interesse mineral cercam municípios turísticos e ambientalmente sensíveis, como Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante e o distrito de São Jorge, além de territórios ligados às comunidades quilombolas Kalunga, reconhecidas pelo patrimônio cultural e pela relação histórica com o Cerrado.
A movimentação do governo ocorre em meio ao avanço internacional pela disputa de minerais críticos, especialmente diante da corrida tecnológica e energética liderada por potências econômicas como Estados Unidos e China. Goiás passou a ser visto como um dos estados estratégicos nesse mercado após o crescimento de projetos ligados às chamadas terras raras.
O debate ganhou força depois que o governo estadual criou mecanismos voltados ao setor mineral, incluindo legislação específica para minerais críticos e articulações internacionais voltadas ao mapeamento geológico e atração de investimentos estrangeiros.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) sustenta que a revisão do plano de manejo não significa autorização automática para mineração. Segundo a pasta, o objetivo é discutir o tema com moradores, conselhos ambientais e representantes locais durante o processo de atualização das regras da APA.
Ainda conforme o governo, o plano atual é de 2016 e deveria passar por revisão periódica. A secretaria afirma que a discussão está sendo conduzida em etapas técnicas e participativas, incluindo consultas públicas e reuniões com conselheiros da unidade de conservação.
Apesar disso, organizações ambientais e especialistas em políticas climáticas avaliam que a proposta pode gerar impactos severos sobre recursos hídricos, fauna, vegetação nativa e turismo ecológico, principal atividade econômica de várias cidades da região.
Críticos do projeto argumentam que a mineração em larga escala pode comprometer nascentes, aumentar processos de degradação do solo e pressionar territórios tradicionalmente preservados. Há também preocupação com o risco de fragmentação ambiental em uma área considerada estratégica para a manutenção da biodiversidade do Cerrado brasileiro.
Além do impacto ambiental, o tema ampliou o embate político e técnico sobre os limites da exploração econômica em áreas protegidas. Enquanto o governo destaca potencial de arrecadação, geração de empregos e royalties para municípios, ambientalistas afirmam que o modelo pode provocar danos permanentes em uma das paisagens naturais mais emblemáticas do país.
A discussão segue em andamento no âmbito da revisão do plano de manejo da APA de Pouso Alto, sem definição final sobre eventuais mudanças nas regras ambientais da região.
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