Goiás bate recorde histórico de renda, mas desigualdade volta a crescer no estado
Levantamento da Pnad Contínua mostra que 5 milhões de goianos passaram a ter algum tipo de rendimento em 2025; avanço da economia impulsiona ganhos, enquanto concentração de renda segue em alta

Goiás alcançou em 2025 o maior número de pessoas com rendimento da história do estado. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que cerca de 5 milhões de goianos passaram a ter alguma fonte de renda no último ano, consolidando um marco inédito desde o início da série histórica, iniciada em 2012.
O levantamento revela que 67,2% da população goiana recebeu algum tipo de rendimento em 2025, resultado superior ao registrado em 2024 e considerado um dos principais indicadores de fortalecimento econômico no estado. O crescimento foi puxado principalmente pela expansão do mercado de trabalho, avanço do agronegócio, valorização imobiliária e aumento de rendimentos provenientes de aposentadorias, programas sociais e aluguéis.
Segundo os dados do IBGE, 51,7% da população recebeu renda habitual oriunda do trabalho, enquanto 22,3% declararam ganhos vindos de outras fontes. Entre esses rendimentos complementares, aposentadorias e pensões lideram, alcançando 11,1% da população. Programas sociais aparecem em seguida, atingindo 7% dos moradores do estado.
Também foram contabilizados recursos provenientes de aluguel, arrendamento, pensão alimentícia, doações, seguro-desemprego e aplicações financeiras. Especialistas avaliam que o cenário reflete uma combinação entre expansão econômica regional e aumento da circulação de renda em cidades médias e polos produtivos do interior goiano.
Outro dado que chamou atenção foi o rendimento médio mensal real no estado, que chegou a R$ 3.539, acima da média nacional, fixada em R$ 3.367. O resultado reforça o peso da economia goiana no Centro-Oeste, especialmente em setores ligados ao agronegócio, logística, construção civil, comércio e serviços.
Apesar do avanço nos indicadores econômicos, a pesquisa também aponta um alerta importante: a desigualdade social voltou a crescer em Goiás. O Índice de Gini, utilizado internacionalmente para medir concentração de renda, subiu para 0,456 em 2025, tornando-se o segundo maior já registrado no estado. Quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade.
O aumento interrompe a trajetória de queda observada no ano anterior e indica que, embora mais pessoas estejam recebendo renda, a distribuição dos ganhos segue concentrada em parcelas específicas da população.
A diferença salarial entre homens e mulheres também permanece elevada. Os homens registraram rendimento médio mensal de R$ 4.126, enquanto as mulheres receberam, em média, R$ 2.982. Mesmo com redução da disparidade em comparação ao ano anterior, o rendimento masculino ainda supera o feminino em 38,4%.
Economistas avaliam que Goiás vive atualmente um cenário de expansão econômica consistente, impulsionado principalmente pela força do agronegócio e pela interiorização do desenvolvimento. No entanto, especialistas alertam que o crescimento econômico isolado não garante redução automática das desigualdades sociais, sobretudo em áreas ligadas à renda, educação e acesso a oportunidades.
O levantamento do IBGE reforça que Goiás mantém posição de destaque nacional em geração de renda, mas também evidencia o desafio estrutural de transformar crescimento econômico em distribuição mais equilibrada de riqueza.
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