Crise no Imas expõe filas, cobranças irregulares e pressão por reformulação urgente em Goiânia
Servidores denunciam dificuldade para consultas e exames, enquanto sindicatos cobram participação no plano de reestruturação do instituto de saúde municipal

O Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores de Goiânia enfrenta uma escalada de reclamações relacionadas ao atendimento oferecido aos servidores públicos municipais. Queixas registradas em reuniões do Conselho de Assistência à Saúde e Social dos Servidores Municipais de Goiânia apontam dificuldades recorrentes para agendamento de consultas, demora na realização de exames e denúncias de cobranças consideradas indevidas dentro da rede credenciada.
As manifestações de usuários revelam um cenário de pressão crescente sobre o sistema de assistência médica dos servidores da capital. Entre os relatos apresentados ao conselho estão cobranças extras para marcação de consultas, exigência de pagamentos em atendimentos que deveriam ser cobertos pelo plano e oferta de consultas particulares após o esgotamento das vagas disponíveis pelo instituto.
Os registros também apontam dificuldades em especialidades de alta demanda, como ginecologia, psiquiatria, neurologia, endocrinologia, cardiologia, ortopedia, reumatologia e oncologia. Segundo representantes sindicais que acompanham as discussões, muitos usuários relatam cancelamentos de consultas próximas da data marcada e longos períodos de espera para exames e retornos médicos.
O principal gargalo identificado envolve o limite financeiro mensal estabelecido nos contratos firmados entre o instituto e clínicas ou laboratórios credenciados. Na prática, cada prestador possui um teto de atendimentos eletivos autorizado pelo Imas. Quando esse limite é atingido, novos agendamentos ficam indisponíveis até o mês seguinte.
A presidência do instituto afirma que o modelo atual segue critérios contratuais e financeiros necessários para manter o equilíbrio operacional do sistema. O Imas sustenta que atendimentos de urgência e emergência não sofrem restrições semelhantes e orienta usuários sem vagas disponíveis a procurarem atendimento presencial diretamente no órgão, onde servidores realizam busca em tempo real por unidades com disponibilidade.
Apesar disso, integrantes do conselho e representantes sindicais argumentam que o modelo se tornou insuficiente diante da demanda atual. Segundo relatos apresentados nas reuniões, as vagas disponíveis em algumas unidades se esgotam nos primeiros dias de cada mês, obrigando servidores a enfrentar filas presenciais no instituto em busca de remarcações ou novos encaminhamentos.
O debate ocorre em meio ao processo de reestruturação do Imas anunciado pela gestão do prefeito Sandro Mabel. A administração municipal negocia mudanças estruturais no instituto após cobranças feitas pelo Ministério Público do Estado de Goiás e diante do aumento da pressão política e administrativa sobre o sistema de assistência à saúde dos servidores.
A atual presidente do instituto, Gardene Fernandes, informou que o projeto de reformulação já está em análise interna antes de ser encaminhado ao Legislativo municipal. O Conselho de Assistência à Saúde, porém, cobra participação efetiva na elaboração das mudanças, alegando que acompanha diretamente os problemas enfrentados pelos usuários e possui conhecimento técnico sobre os principais gargalos operacionais do sistema.
Outro ponto sensível envolve as denúncias de cobranças irregulares feitas por clínicas credenciadas. O conselho informou que os relatos ainda estão sendo verificados individualmente e que, caso sejam confirmados, poderão resultar em encaminhamentos ao Ministério Público e abertura de procedimentos administrativos.
Especialistas em gestão pública avaliam que o caso do Imas reflete um desafio enfrentado por diversos sistemas próprios de assistência médica vinculados ao funcionalismo: equilibrar sustentabilidade financeira, capacidade de atendimento e qualidade assistencial diante do crescimento da demanda e do aumento dos custos na saúde suplementar.
A expectativa agora gira em torno do projeto de reestruturação prometido pela Prefeitura de Goiânia, que deverá redefinir regras de financiamento, gestão da rede credenciada e mecanismos de fiscalização dos atendimentos prestados aos servidores municipais.
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