2 de abril de 2026
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Goiânia adota quebra-molas de borracha em contrato emergencial e levanta questionamentos técnicos e de custo

Prefeitura inicia implantação inédita de redutores modulares em vias urbanas com investimento elevado e sem licitação definitiva, enquanto especialistas apontam riscos de aplicação sem critérios rigorosos de engenharia
Quebra-molas de borracha instalado na Avenida Perimetral, no Setor Coimbra: maior durabilidade é justificativa (Wildes Barbosa / O Popular)

A Prefeitura de Goiânia iniciou a instalação de redutores de velocidade modulares de borracha em diferentes pontos da capital, marcando uma mudança no padrão de intervenção viária até então baseado em lombadas executadas em concreto ou concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ). A medida, conduzida pela Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito, ocorre no âmbito de um contrato emergencial firmado com a empresa Sinales Sinalização, no valor global de R$ 28 milhões.

O contrato prevê a instalação inicial de até 250 dispositivos, com custo unitário aproximado de R$ 3,5 mil, podendo alcançar escala ampliada em futura licitação que ainda se encontra em fase preparatória. A adoção do modelo modular é justificada tecnicamente pela administração como solução de rápida implantação — com montagem a seco, sem necessidade de obras civis e com liberação imediata da via —, além de maior flexibilidade operacional para intervenções pontuais em áreas classificadas como de risco viário elevado.

Os primeiros equipamentos foram implantados em trechos de tráfego bidirecional em regiões como Setor Coimbra, Jardim Mariliza e Parque Oeste Industrial. Segundo a SET, os pontos foram definidos a partir de Estudo Técnico Preliminar (ETP), instrumento que fundamenta contratações públicas e identifica demandas urgentes relacionadas à segurança viária, especialmente em locais com alta circulação de pedestres ou histórico de acidentes.

Do ponto de vista de engenharia de tráfego, os redutores modulares apresentam vantagens operacionais, como padronização dimensional e possibilidade de manutenção segmentada. Entretanto, sua aplicação em vias urbanas de grande porte ainda é considerada atípica no contexto brasileiro, onde predominam soluções permanentes moldadas in loco. Especialistas alertam que a instalação desses dispositivos exige análise criteriosa de variáveis como volume de tráfego, velocidade operacional, tipologia da via e impacto na fluidez, sob risco de gerar efeitos adversos, como frenagens abruptas, desconforto ao usuário e até aumento do risco de colisões traseiras.

Outro ponto de debate reside na composição do custo contratado. Embora existam produtos similares no mercado com preços significativamente inferiores, a SET sustenta que o valor pago engloba não apenas o fornecimento do material, mas uma solução integrada que inclui projeto técnico, instalação especializada, sinalização temporária e permanente, além de requisitos de durabilidade e desempenho. De acordo com a secretaria, os dispositivos instalados são fabricados com borracha de alta resistência, capazes de suportar cargas de até 30 toneladas por eixo, com vida útil mínima projetada de cinco anos e garantia contratual.

A contratação emergencial foi adotada após a expiração de contratos anteriores e tentativas frustradas de novos processos sem licitação, criando um vácuo operacional na manutenção da sinalização viária da cidade. O instrumento emergencial possui vigência limitada, sendo tratado como medida transitória até a conclusão de um certame definitivo, que deverá estabelecer parâmetros mais amplos para intervenções na malha urbana.

No entanto, a estratégia adotada também expõe fragilidades no planejamento de mobilidade urbana. Avaliações técnicas independentes indicam que intervenções pontuais, sem integração a um plano sistêmico de engenharia de tráfego, tendem a produzir resultados limitados. A eficácia de redutores físicos, como lombadas, está diretamente condicionada à sua inserção em políticas mais amplas de moderação de tráfego, que envolvem sinalização adequada, fiscalização e educação no trânsito.

A introdução dos quebra-molas de borracha, portanto, representa não apenas uma inovação operacional, mas também um teste de efetividade para políticas públicas de segurança viária em Goiânia, em um cenário que demanda equilíbrio entre agilidade administrativa, rigor técnico e responsabilidade fiscal.

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Marcus

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