20 de março de 2026
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Relatório técnico aponta avanço no tratamento de chorume no aterro de Goiânia, mas desafios ambientais persistem

Uso de biomassa melhora indicadores de carga orgânica e reduz odores, porém níveis de nitrogênio ainda superam padrões ambientais exigidos
Biofábrica instalada pela Solos Solution no aterro sanitário municipal (José Washington)

O primeiro relatório técnico sobre o novo modelo de tratamento de chorume no aterro sanitário de Goiânia indica melhora relevante em parâmetros ambientais, embora ainda existam desafios para o pleno atendimento às normas regulatórias. O documento, elaborado após as primeiras semanas de operação do sistema baseado em biomassa de microrganismos, apresenta ganhos consistentes na redução da carga poluente em comparação ao modelo anterior, que utilizava apenas lagoas de contenção sem tratamento adequado.

O chorume — efluente altamente contaminante resultante da decomposição de resíduos sólidos — passou a receber tratamento biológico por meio de bioaumentação microbiológica, tecnologia implantada pela empresa Solos Solution, contratada emergencialmente pela administração municipal. A iniciativa busca reduzir a dependência do envio do material à estação da Saneamento de Goiás S.A., localizada na região do Setor Goiânia 2.

Dados coletados após cerca de 45 dias de operação apontam evolução nos principais indicadores de poluição orgânica. A eficiência de remoção da demanda bioquímica de oxigênio (DBO) passou a superar 70%, acima do mínimo de 60% estabelecido pela Conselho Nacional do Meio Ambiente, conforme a Resolução Conama nº 430 de 2011. Também houve avanço na redução da demanda química de oxigênio (DQO) e melhora expressiva no tratamento do nitrogênio amoniacal, um dos componentes mais críticos do chorume.

Apesar dos ganhos, o nível de nitrogênio amoniacal ainda permanece elevado, acima dos limites considerados adequados para lançamento em corpos hídricos. Mesmo com redução significativa, os índices registrados seguem distantes do patamar exigido pela legislação ambiental, indicando que o sistema ainda está em fase de maturação operacional.

A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana de Goiânia (Seinfra), responsável pela gestão do aterro, avalia que os resultados demonstram uma curva de evolução consistente. Segundo a pasta, a aplicação contínua da biomassa tende a ampliar a eficiência do processo à medida que o sistema microbiológico se estabiliza, o que pode ocorrer ao longo de vários meses.

Além dos indicadores laboratoriais, o relatório também registra efeitos operacionais relevantes, como a redução perceptível de odores nas lagoas e o aumento da flotação de matéria orgânica — fenômeno esperado em sistemas biológicos ativos e indicativo de degradação acelerada de compostos poluentes.

Outro fator considerado na análise é o impacto das condições climáticas. O período avaliado coincidiu com semanas de chuvas intensas, cenário que tradicionalmente compromete a eficiência de sistemas de tratamento em lagoas, devido à diluição do efluente e à alteração das condições físico-químicas. Ainda assim, o sistema manteve estabilidade operacional, segundo a empresa responsável.

Paralelamente à evolução técnica, o município ainda enfrenta um impasse jurídico sobre o destino do chorume durante a fase de transição do modelo. A Prefeitura aguarda decisão judicial que permita a continuidade do envio do efluente à estação da Saneago até que o novo sistema atinja sua plena capacidade operacional.

A questão envolve também a atuação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás, que já havia determinado restrições ao recebimento do chorume pela estação de tratamento por limitações estruturais e ausência de licenciamento específico para esse tipo de efluente.

Especialistas em saneamento destacam que a adoção de tecnologias biológicas no tratamento de chorume representa uma tendência crescente, sobretudo em centros urbanos com alta geração de resíduos. No entanto, ressaltam que a eficácia plena desses sistemas depende de tempo de adaptação microbiológica, controle rigoroso de parâmetros e continuidade operacional.

O cenário atual indica um avanço técnico relevante na gestão ambiental do aterro de Goiânia, ainda que condicionado à evolução dos indicadores mais críticos e à consolidação de uma solução definitiva para o tratamento e destinação do chorume.

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Marcus

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