Operação nacional da Polícia Federal mira crimes de abuso infantil na internet e cumpre mandados, em Goiás
Ação simultânea em 17 estados ocorre no contexto de nova legislação de proteção digital e foca redes de armazenamento e compartilhamento de material ilegal

A Polícia Federal do Brasil deflagrou uma operação de alcance nacional para reprimir crimes cibernéticos de exploração sexual contra crianças e adolescentes, com cumprimento de mandados também em Goiás. A ofensiva mobiliza equipes em 17 unidades da Federação e executa 34 mandados de busca e apreensão, com foco na identificação de indivíduos envolvidos no armazenamento, compartilhamento e produção de conteúdo ilícito em ambiente digital.
Batizada de Operação Guardião Digital, a ação foi estruturada a partir de investigações que rastrearam a circulação de arquivos ilegais em redes e plataformas online, incluindo ambientes criptografados e fóruns clandestinos. O trabalho técnico envolve análise forense de dispositivos eletrônicos e cruzamento de dados digitais, estratégia considerada essencial para desarticular cadeias de disseminação desse tipo de crime.
Até o momento, foi registrada uma prisão em flagrante na cidade de Itu, em São Paulo, onde agentes localizaram arquivos ilícitos durante o cumprimento de mandado. Em território goiano, as ordens judiciais foram executadas em dois endereços, com apreensão de equipamentos que serão submetidos à perícia especializada, etapa crucial para identificar eventuais vítimas e possíveis conexões com outras investigações em curso.
A operação ocorre no mesmo contexto da entrada em vigor da Lei nº 15.211/2025, conhecida como “ECA Digital”, que amplia mecanismos de proteção no ambiente virtual. A norma estabelece obrigações mais rigorosas para provedores e plataformas tecnológicas, especialmente quanto ao monitoramento e comunicação de conteúdos suspeitos às autoridades.
Entre os instrumentos previstos na nova legislação está a criação de um núcleo especializado dentro da própria Polícia Federal do Brasil, voltado à centralização de denúncias encaminhadas por empresas de tecnologia. A iniciativa busca reduzir o tempo de resposta estatal e aumentar a eficiência na identificação de práticas criminosas na rede.
De acordo com especialistas em segurança digital e proteção infantojuvenil, o avanço normativo acompanha uma tendência internacional de responsabilização das plataformas e reforço das capacidades investigativas dos Estados. No Brasil, a integração entre órgãos policiais, Ministério Público e entidades de proteção é considerada decisiva para enfrentar crimes que operam em múltiplas jurisdições e com alto grau de anonimato.
A Polícia Federal também reforça a importância da atuação preventiva. A orientação é que responsáveis acompanhem o uso de dispositivos por crianças e adolescentes, estabeleçam limites claros e incentivem o diálogo sobre riscos no ambiente digital. Denúncias podem ser realizadas de forma anônima por canais oficiais, como o Disque 100, além de registros junto à Polícia Civil e Conselhos Tutelares.
A distribuição dos mandados reflete a capilaridade da investigação, com ações em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Bahia, entre outros, evidenciando o caráter nacional das redes monitoradas.
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