Cão comunitário sofre queimaduras graves após agressão registrada por câmeras em bairro de Goiânia
Imagens mostram momento em que líquido é arremessado contra animal que dormia na calçada; Polícia Civil investiga possível crime de maus-tratos
Um caso de possível crime de maus-tratos contra animal doméstico mobiliza moradores do Setor Castelo Branco, em Goiânia, após um cão comunitário aparecer com queimaduras graves no corpo. O episódio foi registrado por câmeras de segurança instaladas na rua e passou a ser investigado pela Polícia Civil do Estado de Goiás.
As imagens captadas por sistema de monitoramento mostram o momento em que uma moradora se aproxima do local onde o animal dormia na calçada e lança um líquido em sua direção. Instantes depois, o cachorro reage de forma abrupta, levanta-se e corre pela rua emitindo sinais de dor, comportamento compatível com exposição a substância ou temperatura capaz de provocar lesões.
O animal, conhecido pelos moradores da região como cão comunitário — termo utilizado para designar cães que vivem em espaços públicos, mas recebem cuidados coletivos da vizinhança — foi posteriormente encontrado com ferimentos extensos nas costas. De acordo com relatos de moradores, o quadro clínico indicava queimaduras severas.
O caso passou a ser apurado pelo Grupo de Proteção Animal da Polícia Civil. Segundo a delegada Simelli Lemes, responsável pela investigação, o estado do animal motivou a abertura imediata de procedimento policial e a solicitação de perícia técnica.
Após ser resgatado, o cão foi encaminhado para atendimento veterinário em clínica especializada. A avaliação pericial preliminar apontou que as lesões são compatíveis com queimadura térmica, descartando a hipótese de irritação leve provocada apenas por produtos de limpeza.
De acordo com informações apresentadas pela autoridade policial, o animal sofreu queimaduras em aproximadamente metade do corpo, incluindo áreas com lesões profundas classificadas como terceiro grau, condição que pode comprometer tecidos mais profundos e exige tratamento intensivo.
A moradora apontada nas imagens, identificada como Cassilda, afirmou em entrevista que não houve agressão deliberada. Segundo ela, o líquido lançado seria água misturada com água sanitária utilizada para lavar o quintal da residência, que passa por obras.
A delegada responsável pelo caso afirma, no entanto, que a natureza das lesões observadas no animal não é compatível com esse tipo de produto doméstico diluído. A investigação busca esclarecer se houve intenção de provocar ferimentos ou se o líquido utilizado possuía características capazes de causar queimaduras térmicas severas.
O inquérito policial apura possível enquadramento no crime de maus-tratos a animais, previsto na legislação brasileira. Desde a alteração promovida pela Lei nº 14.064 de 2020, a prática de violência contra cães e gatos passou a prever pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa e possibilidade de proibição da guarda de animais.
Casos envolvendo violência contra animais têm registrado aumento de denúncias nos últimos anos em várias regiões do país, fenômeno atribuído tanto ao crescimento da conscientização social quanto à ampliação de canais de denúncia e atuação de grupos especializados dentro das polícias civis.
Enquanto o inquérito segue em andamento, o animal permanece sob cuidados veterinários e acompanhamento de protetores independentes, que acompanham sua recuperação clínica.
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