Comurg reestrutura finanças e reduz em R$ 2,1 bilhões o passivo histórico ao longo de 2025
Renegociações com União, FGTS, MPT e fornecedores eliminaram 83,6% das dívidas acumuladas e reposicionam a companhia em novo patamar de previsibilidade fiscal

A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) encerrou 2025 com uma inflexão inédita em sua trajetória financeira ao reduzir em R$ 2,109 bilhões o volume de passivos acumulados ao longo de décadas. O resultado consolida o primeiro ano da gestão do prefeito Sandro Mabel (UB) à frente do município e corresponde à eliminação de 83,6% do endividamento total da empresa pública, segundo dados internos da companhia analisados pela reportagem.
O levantamento indica que o passivo global da Comurg atingia R$ 2,521 bilhões no início do processo de reestruturação. Com a conclusão das renegociações e a exclusão de cobranças decorrentes de acordos firmados, o saldo remanescente foi reduzido para R$ 411,8 milhões. A principal frente de alívio financeiro decorre da transação negociada com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), que concentrou a maior fatia das dívidas.
Nesse acordo, o débito inscrito na dívida ativa da União, que somava R$ 2,277 bilhões, foi reduzido para R$ 312 milhões, após tratativas técnicas conduzidas pelo Município. O procurador-geral de Goiânia, Wandir Alan de Oliveira, afirmou que a negociação está tecnicamente concluída e aguarda apenas a validação formal da diretoria da PGFN. Segundo ele, não há pendências documentais ou de mérito, restando apenas a formalização final para assinatura.
Embora os termos financeiros detalhados não tenham sido integralmente divulgados, a Prefeitura informou que os pagamentos do valor remanescente — que envolvem débitos com a União, a Receita Federal do Brasil e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) — serão parcelados em prazos que variam de 60 a 120 meses, conforme a natureza da obrigação. O limite mensal das parcelas não deverá ultrapassar R$ 2,5 milhões, de modo a preservar a capacidade operacional da companhia.
Além do eixo tributário e fiscal, a Comurg avançou de forma significativa na regularização do passivo trabalhista. A assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho resultou na redução das dívidas dessa natureza de R$ 96,9 milhões para R$ 7,6 milhões. Paralelamente, os precatórios trabalhistas foram reduzidos de R$ 81,8 milhões para R$ 46,8 milhões, a partir de acordos e reprogramações reconhecidas judicialmente.
No campo das obrigações com fornecedores, a administração implantou um plano de reavaliação e renegociação que alcançou dívidas de curto prazo anteriormente estimadas em R$ 65,3 milhões. Após a revisão contratual e a aplicação de critérios de priorização, o montante foi reduzido para R$ 45,3 milhões. Os credores foram classificados entre essenciais, litigiosos e inativos, com prioridade para serviços considerados críticos à manutenção das atividades, como fornecimento de combustível, locação de máquinas e veículos. Os acordos preveem descontos que chegam a 40%, com parcelamentos negociados individualmente entre 12 e 48 meses.
Para a Prefeitura, o conjunto das medidas representa uma mudança estrutural no modelo de gestão da Comurg, substituindo um cenário de crescimento desordenado do passivo por um ambiente de controle, previsibilidade e capacidade de planejamento.
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