Goiás leva ao COP30 Programa Cerrado em Pé e reforça liderança em preservação do bioma
Na conferência da ONU, o governador Ronaldo Caiado apresenta resultados de políticas ambientais que envolvem pagamento por serviços ambientais, queda de 71,9% no desmatamento estadual e incentivos à mobilidade limpa e economia verde.

O estado de Goiás ingressa com protagonismo no debate climático internacional ao levar à COP30, realizada em Belém (PA), um conjunto de iniciativas que articulam preservação ambiental, desenvolvimento econômico e inovação tecnológica. No foco, está o programa Cerrado em Pé, que remunera proprietários rurais pela proteção da vegetação nativa em áreas que poderiam ser convertidas para plantio ou pastagens, segundo informações da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad-GO).
O relatório anual das iniciativas ambientais revela que Goiás alcançou uma redução de 71,9% no desmatamento entre 2023 e 2024, caindo de aproximadamente 69,3 mil hectares para 19,4 mil hectares de vegetação nativa suprimida. Esse resultado fortalece o discurso goiano de que a região central do país pode compatibilizar agronegócio e conservação de forma efetiva.
Estrutura e alcance do Programa Cerrado em Pé
O PSA (Pagamento por Serviços Ambientais) contemplou mais de 15 mil hectares de vegetação sob compromisso de conservação, com um desembolso que ultrapassa R$ 4 milhões anuais. Os valores aplicados variam entre R$ 498 por hectare para quem mantém a vegetação nativa, e até R$ 664 por hectare para quem também recupera nascentes degradadas.
Para participar, o produtor deve inscrever área que, do ponto de vista legal, poderia ter sido suprimida — não se trata de Reserva Legal ou Área de Preservação Permanente — e cumprir obrigações como monitoramento, prevenção de incêndios e manutenção da vegetação intacta.
Convergência entre clima, mobilidade e economia verde
Além da agenda de preservação, a estratégia goiana mobiliza incentivos à mobilidade sustentável, com renovação da frota de transporte coletivo por veículos movidos a energia limpa (elétricos, biometano) e estímulos à indústria de biogás — com vistas a inserir o estado em cadeias globais de transição energética. Ainda na COP30, o governador apresentou oportunidades de investimento em terras raras e bioenergia, reforçando a meta de que Goiás seja referência não apenas em conservação, mas em economia de baixo carbono.
Desafios e próximas etapas
Apesar dos avanços, especialistas alertam que a preservação do Cerrado exige atenção contínua: embora a redução seja expressiva, o bioma ainda responde por parcela significativa das perdas de vegetação no país. Além disso, o estímulo à produção rural sustentável deve avançar com mecanismos de verificação, transparência e participação local.
Para Goiás, a presença na COP30 representa tanto um reconhecimento dos primeiros resultados quanto o início de um compromisso mais profundo: consolidar modelos de governança ambiental, inovação tecnológica e mercado verde, que possam ser replicados e ampliados.
Com a apresentação internacional, o governo local busca institucionalizar o Cerrado em Pé como um referencial nacional de pagamento por serviços ambientais, preparando-se para atrair financiamento climático, créditos de carbono e novos fluxos de cooperação.
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