Uso de celular ao volante gera mais de 45 mil multas e expõe risco persistente no trânsito de Goiânia
Dados da Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito revelam alta incidência da infração gravíssima; monitoramento por câmeras amplia alcance da fiscalização na capital

O avanço dos sistemas de videomonitoramento em Goiânia tem revelado, com precisão crescente, a dimensão de um comportamento recorrente e de alto risco: o uso de celular ao volante. Levantamento da Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito aponta que, em pouco mais de um ano, foram registradas mais de 45 mil autuações por essa prática, considerada infração gravíssima pelo Código de Trânsito Brasileiro.
Os dados indicam 40.077 infrações ao longo de 2025 e outras 5.667 apenas nos primeiros meses de 2026, o que sugere a manutenção de um padrão elevado de desrespeito às normas de segurança viária. A curva de autuações, longe de indicar redução significativa, reforça a dificuldade em modificar hábitos consolidados entre condutores urbanos.
Do ponto de vista técnico, o uso de dispositivos móveis durante a condução compromete múltiplas dimensões da direção: reduz o tempo de reação, prejudica a percepção periférica e aumenta o risco de decisões tardias. Estudos na área de segurança viária equiparam os efeitos da distração ao volante aos de outras condutas perigosas, como dirigir sob fadiga ou em velocidade inadequada.
A fiscalização na capital goiana é sustentada por uma rede de aproximadamente 100 câmeras instaladas em corredores de alto fluxo, cruzamentos e vias arteriais. O sistema opera em tempo real, com acompanhamento de agentes de trânsito, que identificam infrações e formalizam autuações com base nas imagens captadas. A estratégia amplia a capacidade de vigilância sem depender exclusivamente de abordagens presenciais, aumentando a efetividade do controle.
Apesar do reforço tecnológico, especialistas apontam que a persistência dos números revela limites da fiscalização como instrumento isolado. A mudança de comportamento exige ações integradas, incluindo campanhas educativas contínuas e políticas de engenharia de tráfego que reduzam estímulos à distração, como congestionamentos prolongados e tempos semafóricos inadequados.
No campo jurídico, a infração por manuseio de celular ao volante implica multa elevada e pontuação na Carteira Nacional de Habilitação, podendo impactar diretamente a situação do condutor junto aos órgãos de trânsito. Ainda assim, a recorrência dos registros indica que o custo da penalidade não tem sido suficiente para inibir a prática.
A leitura consolidada dos dados aponta para um desafio estrutural: a incorporação de tecnologias móveis ao cotidiano dos motoristas não foi acompanhada, na mesma velocidade, por uma adaptação cultural à condução segura. Nesse cenário, o monitoramento eletrônico cumpre papel relevante, mas a redução efetiva do problema depende de uma mudança mais profunda no comportamento dos condutores.
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