Reestruturação do Imas entra em fase decisiva e pode redefinir modelo de assistência aos servidores, em Goiânia
Projeto que será enviado à Câmara Municipal deve definir novo formato de gestão, rever regras de adesão e avaliar até mesmo a extinção do instituto em caso de insustentabilidade financeira

O debate sobre o futuro do Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores de Goiânia (Imas) entrou em uma fase decisiva no Paço Municipal e na Câmara de Goiânia. O projeto de reestruturação, em fase final de elaboração pela gestão do prefeito Sandro Mabel (União Brasil), é tratado nos bastidores como uma tentativa limite de estabilizar o modelo atual de assistência à saúde dos servidores municipais, que enfrenta uma crise financeira prolongada.
A expectativa é que a proposta seja encaminhada ao Legislativo ainda em junho, embora ajustes técnicos e políticos ainda estejam em discussão. Entre Executivo e vereadores, prevalece a avaliação de que a medida pode representar a última oportunidade de reorganizar o instituto antes de uma eventual descontinuidade do modelo vigente.
Dívida elevada e pressão por novo modelo de gestão
O Imas acumula passivo estimado em cerca de R$ 220 milhões, cenário que tem gerado recorrentes dificuldades operacionais, incluindo atrasos em pagamentos a prestadores de serviço e instabilidade na rede credenciada. Esse quadro, segundo interlocutores do poder público, foi determinante para a construção de um novo desenho institucional.
Nos bastidores da Câmara, parlamentares avaliam que o ambiente político deve se intensificar com a chegada do projeto. Um vereador ouvido em caráter reservado classificou o momento como crítico: a alternativa, segundo ele, estaria entre uma reestruturação profunda ou a desativação do instituto.
Proposta inclui nova lógica de contribuição e regras de entrada
Entre os principais pontos em discussão está a mudança no modelo de custeio, com a adoção de contribuição escalonada por faixa etária, variando aproximadamente entre R$ 50 e R$ 660. A estimativa preliminar é de que a medida possa ampliar a arrecadação em cerca de R$ 10 milhões, fortalecendo o equilíbrio financeiro do sistema.
Outro eixo previsto no projeto é a revisão das regras de adesão ao plano, com a possível implementação de critérios mais rigorosos de entrada, incluindo avaliação prévia de saúde e prazos de carência mais definidos para determinados procedimentos. O objetivo, segundo técnicos envolvidos na elaboração, seria reduzir a chamada seleção adversa — quando beneficiários ingressam já com alta demanda assistencial.
Gestão privada e revisão operacional do sistema
A proposta também contempla a transição da operação do Imas para uma empresa especializada em gestão de saúde, vencedora de processo licitatório já conduzido pelo município. A mudança prevê a profissionalização da administração da rede, com foco em negociação de pacotes hospitalares, controle de internações e auditoria de procedimentos.
O prefeito Sandro Mabel tem defendido que o novo modelo traga maior eficiência ao sistema e reduza distorções históricas. Em suas declarações, ele critica o formato atual de adesão sem análise prévia de risco e aponta a necessidade de mecanismos de regulação mais rígidos.
Cenário aberto entre reestruturação e extinção
Embora a proposta seja tratada como solução de reequilíbrio, o próprio Executivo admite que o projeto tem caráter decisivo. Caso as mudanças não resultem em sustentabilidade financeira e operacional em um horizonte de médio prazo, a possibilidade de encerramento do Imas não está descartada.
Nos próximos dias, a expectativa é de intensificação das negociações políticas entre Prefeitura e Câmara Municipal, em um cenário no qual o futuro da assistência à saúde dos servidores deve se tornar um dos principais temas da agenda legislativa da capital.
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