Quase 24% dos estudantes do Centro-Oeste já apostaram em bets

Pesquisa nacional ouviu 1.912 alunos e aponta que 23,7% dos estudantes da região já fizeram apostas online; índice sobe para 27,3% entre alunos do Ensino Médio
Foto: Imagens ilustrativas

Quase um em cada quatro estudantes entrevistados no Centro-Oeste afirmou já ter realizado apostas online em plataformas de bets, segundo levantamento nacional divulgado nesta terça-feira (15). A pesquisa aponta que 23,7% dos alunos da região já apostaram, percentual que coloca o Centro-Oeste entre as áreas do país com maior presença das apostas entre estudantes.

O levantamento foi realizado pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Equidade.info e ouviu 1.912 estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, em uma amostra representativa de escolas brasileiras, entre agosto e setembro de 2026. Os dados mostram que o contato com as apostas ocorre ainda durante a educação básica e se torna mais frequente conforme aumenta a idade dos estudantes.

O resultado regional fica abaixo apenas do Nordeste, onde 25,4% dos alunos pesquisados disseram já ter apostado. No Sudeste, o índice é de aproximadamente 20%, enquanto Norte e Sul registraram 14,1% e 18,4%, respectivamente.

Pesquisa não permite estimar número específico de estudantes em Goiás

Embora Goiás faça parte do Centro-Oeste, o levantamento não apresenta os resultados separados por Estado. Por isso, o percentual de 23,7% não pode ser utilizado como uma estimativa específica para estudantes goianos.

O dado representa o conjunto regional considerado pela pesquisa e serve para dimensionar a presença das apostas online entre estudantes do Centro-Oeste.

Essa distinção é importante porque um levantamento regional não permite concluir que a mesma proporção seja registrada em cada um dos Estados que compõem a região.

Apostas aparecem com mais frequência no Ensino Médio

Um dos principais recortes da pesquisa está relacionado à etapa de ensino. Entre os estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental, 16,2% disseram já ter apostado online. No Ensino Médio, o percentual sobe para 27,3%.

A diferença mostra que a exposição às bets aumenta entre estudantes mais velhos. Segundo o levantamento, as apostas podem começar aos 11 anos ou até antes, enquanto aproximadamente um em cada três alunos do Ensino Médio já teve experiência com plataformas de apostas.

No conjunto nacional, 20,4% dos estudantes entrevistados afirmaram já ter realizado apostas online.

Os números colocam o crescimento das plataformas de apostas entre adolescentes dentro de uma discussão mais ampla sobre comportamento, consumo digital e exposição a mecanismos que envolvem dinheiro e expectativa de ganho.

Diferença entre meninos e meninas é significativa

O levantamento também identificou uma diferença expressiva de acordo com o sexo dos estudantes.

Considerando todos os alunos pesquisados, 27,8% dos meninos afirmaram já ter apostado, enquanto entre as meninas o percentual foi de 12,6%.

No Ensino Médio, a diferença aumenta: 41% dos meninos disseram ter realizado apostas, contra 12% das meninas.

O recorte indica que a presença das bets entre estudantes não ocorre de maneira uniforme. A idade e o sexo aparecem como fatores associados às diferenças encontradas na pesquisa.

Parte dos estudantes não consegue calcular as perdas ou ganhos

Além de medir quantos estudantes já apostaram, a pesquisa investigou a percepção dos próprios alunos sobre o resultado financeiro das apostas.

O levantamento aponta que cerca de quatro em cada dez estudantes que já apostaram não sabem dizer se ganharam ou perderam mais dinheiro nas plataformas.

Entre todos os entrevistados, 7,4% afirmaram ter ganhado mais do que perdido, 5,2% disseram ter perdido mais e 7,6% não conseguiram determinar qual foi o resultado financeiro das apostas.

O dado chama atenção porque demonstra que uma parcela dos estudantes que teve experiência com apostas não consegue sequer dimensionar o próprio resultado econômico.

Essa dificuldade pode ser especialmente relevante quando se considera que as apostas são realizadas em plataformas digitais, nas quais depósitos, apostas, perdas e eventuais ganhos podem ocorrer rapidamente e sem a mesma percepção física do dinheiro utilizada em transações presenciais.

Centro-Oeste também registra valores elevados entre quem declarou lucro

A pesquisa apresenta ainda um recorte sobre os valores movimentados pelos estudantes que afirmaram ter ganhado mais do que perdido.

No Centro-Oeste, entre os alunos que declararam resultado positivo, 7,7% disseram ter obtido ganhos superiores a R$ 5 mil.

Esse percentual precisa ser interpretado corretamente. Ele não significa que 7,7% de todos os estudantes do Centro-Oeste tenham ganhado mais de R$ 5 mil. O número se refere ao grupo de estudantes da região que afirmou ter obtido mais ganhos do que perdas.

A diferença é importante para evitar que o dado seja utilizado de forma distorcida.

Educação financeira, sozinha, não aparece como barreira suficiente

Outro resultado apontado pelo levantamento é relacionado à educação financeira. Segundo a pesquisa, a exposição dos estudantes a esse tipo de conteúdo nas escolas, isoladamente, não aparece como uma barreira suficiente para impedir o contato com apostas online.

O resultado não significa que a educação financeira seja irrelevante, mas mostra que outros fatores podem estar envolvidos no comportamento identificado entre os estudantes.

A presença das bets no ambiente digital também amplia a facilidade de acesso às plataformas e aproxima as apostas do cotidiano dos jovens, segundo o cenário identificado pela pesquisa.

Centro-Oeste está entre as regiões com maior índice

O percentual de 23,7% coloca o Centro-Oeste na segunda posição entre as regiões analisadas, atrás do Nordeste.

A comparação nacional mostra:

  • Nordeste: 25,4%;
  • Centro-Oeste: 23,7%;
  • Sudeste: aproximadamente 20%;
  • Sul: 18,4%;
  • Norte: 14,1%.

No Brasil, considerando todos os estudantes entrevistados, 20,4% disseram já ter apostado online.

Os números mostram que o fenômeno apresenta diferenças importantes entre as regiões, mas também revelam que as apostas online já alcançaram uma parcela relevante dos estudantes pesquisados em diferentes partes do país.

Apostas entre estudantes levantam preocupação sobre exposição precoce

O principal alerta trazido pelo levantamento está na idade em que parte dos estudantes começa a ter contato com as bets. Como a amostra envolve alunos da educação básica, os dados indicam que as apostas online já fazem parte da experiência de uma parcela dos adolescentes pesquisados.

A pesquisa também mostra que esse contato se intensifica no Ensino Médio e é significativamente maior entre os meninos.

Outro ponto relevante é a dificuldade de parte dos estudantes em avaliar o próprio resultado financeiro. A incapacidade de identificar se houve ganho ou perda demonstra que a relação com as apostas não se resume ao valor apostado, mas envolve também a percepção que o jovem tem sobre o dinheiro utilizado e o resultado obtido.

Os dados, entretanto, não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito entre as apostas e eventuais problemas escolares, financeiros ou de saúde mental dos estudantes. A pesquisa identifica a dimensão do comportamento e algumas características do grupo que já apostou, mas não autoriza conclusões além dos resultados apresentados.

O levantamento oferece, assim, um retrato da presença das apostas online entre estudantes brasileiros e coloca o Centro-Oeste entre as regiões com maior percentual registrado. Para Goiás, especificamente, ainda não há, a partir dessa pesquisa, um índice estadual que permita dimensionar quantos alunos já apostaram.

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Marcus

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