Prefeitura avalia jardim de chuva no viaduto da T-63 com Avenida 85 para reduzir alagamentos em Goiânia
Proposta defendida por especialistas pode substituir antiga fonte desativada e transformar um dos cartões-postais da capital em estrutura voltada à drenagem urbana sustentável e ao controle de enxurradas.

A Prefeitura de Goiânia estuda implantar um jardim de chuva no Viaduto João Alves de Queiroz, localizado no cruzamento das avenidas T-63 e 85, no Setor Bueno. A proposta prevê a substituição das antigas fontes ornamentais desativadas por uma estrutura moderna de drenagem sustentável, capaz de captar, armazenar e infiltrar parte da água das chuvas, contribuindo para a redução de alagamentos e sobrecarga do sistema pluvial da capital.
A possibilidade foi apresentada pelo prefeito Sandro Mabel por meio de consulta pública nas redes sociais, permitindo que a população participe da decisão entre a recuperação da fonte luminosa ou a implantação do novo equipamento ambiental. A iniciativa ocorre em meio às discussões sobre soluções urbanas para minimizar os impactos das chuvas intensas em Goiânia, especialmente em regiões altamente impermeabilizadas.
Segundo estudos técnicos da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra), o projeto do jardim de chuva já possui viabilidade analisada e poderá ser adaptado conforme a definição final. A estrutura funcionaria como uma área de retenção temporária da água da chuva, permitindo infiltração gradual no solo e reduzindo o volume direcionado imediatamente às galerias pluviais e aos cursos d’água da cidade.
Especialistas em drenagem urbana defendem a medida como uma alternativa eficiente dentro do conceito de infraestrutura verde. O sistema atua como uma espécie de reservatório natural, diminuindo a velocidade do escoamento superficial e contribuindo para reduzir pontos de inundação durante eventos de precipitação intensa.
O coordenador do Plano Diretor de Drenagem Urbana de Goiânia destaca que estruturas desse tipo já são recomendadas em diversos pontos da cidade, principalmente em praças, canteiros centrais e áreas públicas estratégicas. A finalidade é ampliar a capacidade de absorção da água da chuva em uma capital que apresenta elevado índice de impermeabilização do solo.
Além da função hidráulica, os jardins de chuva também possuem papel ambiental relevante. A vegetação e as camadas filtrantes ajudam a reter resíduos e poluentes transportados pelas enxurradas, reduzindo a carga contaminante que chega aos córregos e contribuindo para a melhoria da qualidade da água infiltrada no subsolo.
Para especialistas em arquitetura, urbanismo e engenharia, a transformação do espaço pode unir funcionalidade, paisagismo e sustentabilidade. A avaliação técnica aponta que a região do Setor Bueno concentra grande ocupação urbana e extensa cobertura asfáltica, cenário que favorece o rápido escoamento das águas pluviais e aumenta os riscos de alagamentos durante o período chuvoso.
A proposta também acompanha uma tendência adotada em grandes centros urbanos do Brasil e do exterior, baseada no conceito de “cidades-esponja”, modelo que utiliza soluções naturais para absorver, armazenar e retardar o fluxo das águas das chuvas, reduzindo impactos ambientais e melhorando a resiliência urbana.
Caso seja confirmada, a implantação do jardim de chuva representará uma mudança significativa na utilização de um dos espaços mais conhecidos da capital, combinando preservação urbana, modernização da infraestrutura e medidas de adaptação climática voltadas ao futuro da mobilidade e da drenagem em Goiânia.
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