Polícia conclui que corretora foi executada com dois disparos na cabeça em Caldas Novas
Investigação da Polícia Civil de Goiás aponta emboscada premeditada; síndico será indiciado por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver
A Polícia Civil concluiu que a corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi morta com dois disparos de arma de fogo na cabeça, efetuados pelo síndico do condomínio onde ela residia, em Caldas Novas, no sul de Goiás. O inquérito atribui o crime a Cleber Rosa de Oliveira, que permanece preso preventivamente e deverá ser indiciado por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.
Segundo a corporação, os disparos ocorreram fora da área interna do prédio, após a vítima ser atraída para uma situação previamente planejada. A investigação foi conduzida pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) do município, com acompanhamento da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH).
De acordo com o delegado André Barbosa, responsável pelo GIH local, a dinâmica apurada indica que a vítima foi surpreendida em uma emboscada. Um vídeo recuperado pela perícia — gravado pela própria corretora instantes antes do ataque — reforça a hipótese de premeditação. “Daiane foi a própria testemunha do seu homicídio”, afirmou o delegado ao detalhar que a gravação não chegou a ser enviada a terceiros.
Indiciamento e enquadramento penal
O delegado João Paulo Mendes, titular da DIH, informou que o investigado responderá por homicídio triplamente qualificado, com agravantes que incluem motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e premeditação, além de ocultação de cadáver. A soma das penas, em caso de condenação, pode ultrapassar 30 anos de reclusão.
A defesa de Cleber Rosa de Oliveira declarou, por meio de nota, que ainda não teve acesso integral ao relatório final do inquérito e que só se manifestará após análise técnica dos autos.
A Polícia Civil também concluiu que o filho do síndico, Maicon Douglas de Oliveira, não participou do crime. Ele havia sido preso preventivamente no curso das investigações, mas deverá ser colocado em liberdade diante da ausência de elementos que sustentem seu indiciamento. A defesa do jovem não se pronunciou até o fechamento desta reportagem.
Desaparecimento e mobilização investigativa
Daiane permaneceu desaparecida por 42 dias. Seus últimos registros públicos foram captados por câmeras do elevador do edifício onde morava, na noite de 17 de dezembro de 2025, quando desceu ao subsolo para verificar uma falha no fornecimento de energia elétrica. A partir desse momento, não houve mais contato com familiares.
O caso mobilizou força-tarefa da Polícia Civil, com coleta de depoimentos de 22 testemunhas, apreensão do sistema de gravação do condomínio e perícias em veículos possivelmente relacionados ao desaparecimento. O corpo foi localizado em uma área de mata a cerca de 15 quilômetros da entrada de Caldas Novas, após indicação do próprio investigado.
As apurações também revelaram histórico de conflitos administrativos e judiciais entre a vítima e o síndico. Conforme consta nos autos, havia ao menos 12 ações envolvendo as partes, incluindo disputas relacionadas ao fornecimento de água e gás no edifício.
Repercussão institucional
O caso gerou forte repercussão em Goiás e em Minas Gerais, estado de origem da vítima e de sua família. O governador mineiro, Romeu Zema, manifestou solidariedade pública aos familiares e defendeu a responsabilização do autor.
O Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Goiás divulgou nota classificando o crime como bárbaro e ressaltando que a morte de uma mulher em contexto de conflito e violência constitui grave violação de direitos fundamentais.
Familiares da corretora afirmam esperar que o processo judicial transcorra com celeridade e que a responsabilização penal seja exemplar. A mãe da vítima declarou que confia na Justiça para que o crime não permaneça impune.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que deverá oferecer denúncia à Justiça nos próximos dias.
Nota da defesa de Cleber Rosa
O escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, representando os interesses do Sr. Cleber Rosa de Oliveira, vem informar que a defesa técnica ainda não obteve acesso à integralidade dos documentos recentemente inseridos na investigação, sobretudo ao Relatório Final Policial, de modo que somente se manifestará após a análise de todo o seu conteúdo.
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