Polícia Civil desarticula núcleo interestadual do “golpe do bilhete premiado” que causou prejuízo superior a R$ 1 milhão, em Goiás
Operação identifica executores e intermediários financeiros, cumpre mandados em quatro estados e aponta liderança baseada no Sul do país; vítimas são de Goiânia.
A Polícia Civil do Estado de Goiás deflagrou a Operação Falsa Fortuna com o objetivo de desarticular um grupo especializado no chamado “golpe do bilhete premiado”, fraude que, segundo as investigações, provocou prejuízo superior a R$ 1 milhão apenas em Goiás. As vítimas identificadas no estado residem em Goiânia.
A apuração conduzida pela corporação apontou dois investigados como executores diretos das abordagens e três pessoas responsáveis por viabilizar a movimentação financeira do dinheiro obtido ilicitamente. Esses últimos atuariam como intermediários, cedendo contas bancárias para fracionamento de valores e posterior dispersão dos recursos, estratégia típica de ocultação patrimonial.
Foram cumpridos mandados de prisão temporária, busca e apreensão em cinco municípios distribuídos entre as regiões Sul e Nordeste. As diligências ocorreram em Passo Fundo e Cachoeirinha (RS), Camboriú (SC), Almirante Tamandaré e São José dos Pinhais (PR), com apoio das polícias civis locais. Uma das principais investigadas foi presa dias antes em Maceió (AL), onde teria tentado aplicar a mesma fraude, ocasião em que foi cumprido mandado expedido pela Justiça de Goiás. Outro alvo teve aparelho celular apreendido para perícia. O apontado líder do grupo não foi localizado e permanece foragido.
De acordo com a investigação, o núcleo operacional estaria baseado em Passo Fundo (RS), mas mantinha atuação itinerante. Os suspeitos viajavam a Goiânia com a finalidade específica de selecionar vítimas e executar a fraude. A escolha dos alvos seguia critérios de vulnerabilidade social e psicológica, segundo a polícia.
O golpe do bilhete premiado é modalidade clássica de estelionato. O criminoso aborda a vítima afirmando possuir bilhete de loteria supostamente premiado, mas alega impedimentos para o saque — frequentemente de natureza burocrática ou religiosa. Em seguida, apresenta a oportunidade como “negócio vantajoso”, solicitando pagamento imediato sob a promessa de divisão do prêmio. A vítima, convencida da autenticidade do bilhete, entrega quantias expressivas antes de descobrir que o título é falso.
A prática se enquadra no crime de estelionato, previsto no Código Penal, cuja tipificação foi atualizada pela Lei nº 13.964/2019, passando a exigir, como regra, representação da vítima para a persecução penal. A investigação também apura possível associação criminosa, dada a divisão estruturada de tarefas entre abordagem, convencimento e lavagem de valores.
A Polícia Civil informou que a identificação das contas utilizadas para movimentação dos recursos foi possível mediante análise de dados bancários e cruzamento de informações financeiras autorizadas judicialmente. O rastreamento indicou fracionamento sistemático das quantias obtidas, mecanismo destinado a dificultar bloqueios e a recuperação de ativos.
Até o momento, os nomes dos investigados não foram divulgados. A defesa dos suspeitos não foi localizada para manifestação. As investigações prosseguem para identificar outras possíveis vítimas e eventual ramificação do esquema em estados adicionais.
A corporação reforça que abordagens envolvendo promessa de prêmio em troca de pagamento prévio constituem indício claro de fraude e orienta que a população comunique imediatamente qualquer tentativa às autoridades policiais.
Tags: #PolíciaCivil #OperaçãoFalsaFortuna #Estelionato #GolpeDoBilhetePremiado #SegurançaPública #Goiás

