Operação nacional desarticula facção que movimentou mais de R$ 630 milhões em esquema de lavagem de dinheiro e empresas fantasmas
Polícia Civil de Goiás lidera ação integrada em sete estados para desmantelar estrutura financeira de organização criminosa com ramificações interestaduais. Esquema utilizava “laranjas” e companhias de fachada para ocultar patrimônio ilícito.
A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta terça-feira (4), uma megaoperação de combate à lavagem de dinheiro e à atuação de facções criminosas, que teria movimentado mais de R$ 630 milhões em um esquema complexo de ocultação de recursos e criação de empresas de fachada. A ação, coordenada pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Financeiros (Delefin), cumpre 61 mandados de busca e apreensão em sete estados — Goiás, São Paulo, Santa Catarina, Maranhão, Paraíba, Amazonas e Tocantins — e mobiliza centenas de agentes em todo o país.
Segundo as investigações, o grupo criminoso mantinha uma estrutura empresarial paralela, com pessoas interpostas (“laranjas”) e firmas fictícias, destinadas a lavar recursos provenientes de atividades ilícitas. O dinheiro circulava em uma rede de contas bancárias pessoais e jurídicas, simulando transações comerciais inexistentes e disfarçando a origem dos valores.
Apenas em Goiás, a operação envolve 150 policiais civis e ocorre em municípios estratégicos, como Aparecida de Goiânia, Caldas Novas, Iporá, Senador Canedo, Novo Gama e Águas Lindas de Goiás. Segundo fontes da investigação, parte dos valores teria sido movimentada por meio de contratos falsos e operações financeiras atípicas, com o objetivo de financiar atividades criminosas e ampliar o poder econômico da facção.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, a facção se especializou em criar camadas sucessivas de transações financeiras para dificultar o rastreamento do dinheiro. “A sofisticação das operações indica uma estrutura consolidada, com contadores, empresários e intermediários atuando em conjunto para dar aparência de legalidade aos recursos ilícitos”, explicou.
A estrutura da organização contava com núcleos independentes, responsáveis por captação, movimentação e reinvestimento dos valores, além de uma rede de empresas de fachada utilizadas para adquirir bens de luxo e imóveis em diferentes estados. Parte do montante teria sido aplicada na aquisição de veículos, fazendas e empreendimentos imobiliários — estratégias comuns para dissimular o enriquecimento ilegal.
A investigação teve início em Goiás, após a identificação de transações financeiras incompatíveis com o perfil econômico de determinados suspeitos. A partir disso, a Polícia Civil mapeou vínculos empresariais e familiares, evidenciando um sistema de lavagem de dinheiro com ramificações interestaduais.
O Ministério Público de Goiás (MP-GO) acompanha a operação, que busca não apenas interromper o fluxo de recursos ilícitos, mas também recuperar o patrimônio obtido de forma criminosa. As medidas judiciais incluem o bloqueio de contas bancárias, sequestro de bens e suspensão de CNPJs relacionados aos investigados.
A ação, batizada de “Operação Facção Limpa”, representa uma das maiores ofensivas recentes contra o crime organizado no Centro-Oeste e deve gerar desdobramentos nas próximas semanas, com novas prisões e denúncias formais. O levantamento preliminar da Delefin indica que os R$ 630 milhões identificados podem representar apenas parte da movimentação real, ainda sob análise pericial.
As investigações seguem sob sigilo judicial.
Tags: #OperaçãoFacçãoLimpa #PolíciaCivilDeGoiás #CrimeOrganizado #LavagemDeDinheiro #InvestigaçãoFinanceira #Goiás #SegurançaPública #Delefin #EmpresasFantasmas #MinistérioPúblico #FacçãoCriminosa #Brasil

