Operação mira empresários suspeitos de integrar rede interestadual de desmanche de caminhonetes furtadas
Investigação da DERFRVA aponta que veículos subtraídos em Minas Gerais eram desmontados em galpões na Região Metropolitana de Goiânia e peças revendidas no comércio da Vila Canaã
Dois empresários goianos foram alvos de operação da Polícia Civil do Estado de Goiás contra um esquema estruturado de receptação, desmanche e revenda de peças de caminhonetes furtadas em Minas Gerais. A ofensiva, denominada Operação Engrenagem, foi conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA), com cumprimento de dois mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão em Goiânia e Goianira, na Região Metropolitana da capital. A ação contou com apoio da Divisão de Operações Aéreas da corporação.
De acordo com a delegada responsável pelo inquérito, Rafaela Azzi, as investigações indicam que os suspeitos adquiriam caminhonetes furtadas em território mineiro, providenciavam o transporte até Goiás e promoviam o desmonte em galpões destinados à fragmentação dos veículos. As peças eram posteriormente inseridas no mercado formal de autopeças usadas, sobretudo na região da Vila Canaã, tradicional polo comercial do setor automotivo em Goiânia.
A apuração aponta fluxo contínuo de recebimento de veículos subtraídos, com estimativa média de duas a três caminhonetes por semana destinadas ao fracionamento. Parte da estrutura investigada incluía estabelecimento com aparência regular, formalmente credenciado, mas abastecido — segundo a polícia — com componentes oriundos de crime.
Em um dos endereços vinculados ao grupo, situado em Goianira, já havia ocorrido flagrante anterior, quando dois homens foram presos desmontando uma caminhonete recém-furtada. Eles permanecem custodiados. A reincidência operacional reforçou os indícios de organização estável voltada à receptação qualificada.
As diligências também identificaram indícios de adulteração de sinais identificadores de peças e componentes automotivos, prática destinada a dificultar rastreamento e fiscalização. Conforme a DERFRVA, um dos investigados já figurava como suspeito em ao menos quatro inquéritos instaurados desde fevereiro de 2024, todos relacionados à receptação de caminhonetes.
Os empresários poderão responder por associação criminosa, receptação qualificada e adulteração de sinal identificador de veículo automotor, crimes previstos no Código Penal e na legislação específica de trânsito. Até o momento, os nomes não foram divulgados oficialmente, e a defesa dos investigados não foi localizada para manifestação.
A Polícia Civil sustenta que o esquema operava com divisão de tarefas, estrutura logística interestadual e inserção deliberada das peças no comércio formal, o que amplia o potencial lesivo da atividade e impacta diretamente o mercado automotivo e o sistema de seguros.
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