Operação contra golpes bancários investiga esquema milionário após idosa perder R$ 500 mil, em Goiás
Ação da Polícia Civil cumpre mandados em dois estados e apura atuação de organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas; caso de vítima goiana causou forte comoção
Uma operação deflagrada pela Polícia Civil de Goiás nesta terça-feira (17) tem como alvo uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes bancários em diversas regiões do país. A investigação ganhou repercussão após revelar o caso de uma idosa de Goiânia que perdeu aproximadamente R$ 500 mil em transferências fraudulentas e, posteriormente, tirou a própria vida após descobrir o prejuízo financeiro.
Coordenada pela Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC), por meio do Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (GREF), a ofensiva cumpre 32 ordens judiciais, sendo 16 mandados de prisão e 16 de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de bens dos investigados no valor de R$ 500 mil.
Segundo as investigações, os suspeitos atuavam principalmente por meio dos golpes conhecidos como “Falsa Central Bancária” e “Mão Fantasma”, modalidades que têm provocado prejuízos milionários em todo o país e exigido crescente atenção das autoridades especializadas em crimes cibernéticos.
De acordo com a Polícia Civil, a vítima goiana foi induzida a acreditar que sua conta bancária estava sob risco de invasão. Utilizando técnicas de engenharia social, os criminosos criaram uma situação de urgência e convenceram a idosa a realizar diversas transferências sob o argumento de que os valores seriam protegidos em uma conta segura. A investigação aponta ainda que ela foi submetida a forte pressão psicológica durante os contatos realizados pelos golpistas.
No golpe da Falsa Central Bancária, criminosos entram em contato com a vítima se passando por funcionários de instituições financeiras. Durante a conversa, alegam movimentações suspeitas, compras indevidas ou tentativas de invasão, induzindo a vítima a fornecer dados sigilosos ou transferir recursos para contas controladas pela organização.
Já na fraude conhecida como Mão Fantasma, os criminosos convencem a vítima a instalar aplicativos de acesso remoto em celulares ou computadores. Com o dispositivo sob controle, passam a movimentar contas bancárias, contratar serviços financeiros e realizar transferências sem autorização. O nome da prática faz referência à sensação de que o aparelho está sendo operado sozinho, enquanto a vítima acompanha os comandos sendo executados em tempo real.
As investigações apontam que o grupo possuía estrutura organizada, divisão de tarefas e atuação interestadual. A operação conta com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, além das Polícias Civis de São Paulo e do Rio de Janeiro.
A Polícia Civil não divulgou a identidade dos investigados para não comprometer o andamento das diligências. As apurações prosseguem para identificar outras vítimas, rastrear movimentações financeiras e aprofundar a responsabilização dos envolvidos.
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