Operação contra golpe do falso parente prende suspeitos em Goiás e Paraná após prejuízo a desembargador aposentado
Investigação aponta atuação interestadual de grupo especializado em fraudes eletrônicas; mais de 460 chips telefônicos foram apreendidos durante a ação policial.
Uma operação conjunta das polícias civis de Goiás, São Paulo e Paraná resultou na prisão temporária de três suspeitos investigados por envolvimento em um esquema de estelionato eletrônico que causou prejuízo superior a R$ 28 mil a um desembargador aposentado do Estado de São Paulo. A ação, denominada Operação Protheus, também revelou indícios de uma estrutura criminosa organizada e voltada à aplicação do chamado golpe do falso parente, modalidade que tem feito vítimas em diversas regiões do país.
As ordens judiciais foram cumpridas em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Foz do Iguaçu (PR). Dois investigados foram localizados em Goiás e um terceiro no Paraná. Além das prisões temporárias, as equipes policiais executaram mandados de busca e apreensão em imóveis ligados aos suspeitos.
Segundo a investigação conduzida pela 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG), da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC) de Araçatuba, o grupo utilizava linhas telefônicas registradas em diferentes regiões do país para aumentar a credibilidade dos contatos realizados com as vítimas.
De acordo com a Polícia Civil, os criminosos se passavam por filhos, filhas ou parentes próximos, alegando mudança de número de telefone e solicitando transferências bancárias ou pagamentos via Pix sob justificativas emergenciais. O método é considerado uma das modalidades de fraude digital que mais cresceram nos últimos anos, principalmente contra pessoas idosas.
Durante o cumprimento dos mandados em Goiânia, os investigadores apreenderam 462 cartões SIM já utilizados, outros 30 chips novos, sete aparelhos celulares supostamente empregados na prática criminosa, um notebook, além de outros dispositivos eletrônicos que passarão por perícia especializada.
O elevado número de chips encontrados chamou a atenção das autoridades e reforça a suspeita de que o grupo operava com grande capacidade de comunicação e possível alcance nacional. Os materiais apreendidos serão submetidos à análise forense digital para identificação de novas vítimas, rastreamento de movimentações financeiras e eventual localização de outros integrantes da organização.
Em Foz do Iguaçu, além da prisão de um dos investigados, foram apreendidos dois aparelhos celulares e uma porção de maconha. A situação relacionada ao entorpecente será analisada separadamente pelas autoridades competentes.
As investigações apontam que o desembargador aposentado procurou a polícia após perceber que havia sido enganado por mensagens enviadas por aplicativos de comunicação. A partir da quebra de sigilos autorizada judicialmente e do cruzamento de dados telemáticos, os investigadores conseguiram identificar os alvos da operação.
A Polícia Civil destaca que o golpe do falso parente tem se tornado cada vez mais sofisticado, com criminosos utilizando informações pessoais obtidas em redes sociais, bancos de dados vazados e aplicativos de mensagens para construir narrativas convincentes e induzir as vítimas ao erro.
Os três investigados poderão responder por estelionato eletrônico e associação criminosa, sem prejuízo de novas imputações que possam surgir com o avanço das investigações. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados pelas autoridades, e suas defesas não haviam sido localizadas até o encerramento desta reportagem.
A análise dos equipamentos eletrônicos apreendidos deverá auxiliar na identificação de outras possíveis vítimas em Goiás e em diferentes estados brasileiros, ampliando o alcance da investigação e fortalecendo o conjunto probatório que será encaminhado à Justiça.
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