Mabel descarta fechamento da urgência do CAIS Cândida de Morais e promete reforma e expansão da rede na Região Noroeste
Prefeito nega interrupção do atendimento em meio a protestos, críticas de profissionais e histórico recente de desativação de serviços de urgência em Goiânia

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), afirmou que a urgência e emergência do CAIS Cândida de Morais continuará em funcionamento e não será desativada, rebatendo rumores que mobilizaram profissionais da saúde, usuários do SUS e entidades sindicais nos últimos dias. A declaração ocorreu às vésperas de uma manifestação convocada para esta terça-feira (13) e foi divulgada em vídeo ao lado do vereador Pedro Azulão Jr. (MDB), em resposta direta ao clima de apreensão instalado na Região Noroeste da capital.
Classificada pelo prefeito como estratégica para o atendimento de uma das áreas mais populosas de Goiânia, a unidade, segundo ele, não apenas será mantida aberta, como deverá passar por intervenções estruturais. Mabel reconheceu a necessidade de melhorias físicas e operacionais e afirmou que a gestão municipal trabalha em um projeto de reforma para ampliar a capacidade e a qualidade do atendimento. A fala busca conter a percepção de que o CAIS seguiria o mesmo destino de outras unidades que tiveram serviços de urgência encerrados recentemente, como o CAIS Amendoeiras e o CIAMS Novo Horizonte.
A desconfiança de trabalhadores e usuários ganhou força diante de informações de bastidores que indicavam uma possível reconfiguração da rede, com fechamento ou redução de atendimentos. A insegurança foi agravada por denúncias sobre a precariedade da estrutura do Cândida de Morais, apontadas por parlamentares de oposição e por sindicatos da área da saúde. O vereador Fabrício Rosa (PT), por exemplo, expôs publicamente problemas relacionados à conservação do prédio, à escassez de insumos e à pressão sobre as equipes, defendendo investimentos imediatos e a recomposição da força de trabalho.
Outro elemento que tensiona o cenário é a política de remuneração e contratação adotada pela Secretaria Municipal de Saúde. A redução de honorários e a instabilidade contratual levaram médicos a anunciar paralisações e ampliaram o temor de esvaziamento da unidade. Para o Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde de Goiás (SindSaúde), há relatos de profissionais sendo orientados a buscar outros locais de atuação, o que, na avaliação da entidade, reforça a percepção de desmonte gradual do serviço.
Em nota e manifestações públicas, o sindicato aponta falta de medicamentos, equipamentos insuficientes e incertezas quanto ao futuro do CAIS como fatores que comprometem o atendimento e justificam a mobilização. A entidade também associa o temor atual ao histórico recente de fechamento ou rebaixamento de unidades de urgência na capital, o que, segundo os trabalhadores, enfraquece a rede assistencial e sobrecarrega os serviços remanescentes.
Ao tentar reverter esse quadro, o prefeito anunciou ainda um plano mais amplo para a Região Noroeste, que inclui a construção de uma nova unidade de urgência e emergência e a reorganização de um CAIS existente que hoje funciona em instalações consideradas inadequadas pela própria gestão. A proposta envolve a transferência da unidade para um novo terreno, próximo à localização atual, permitindo uma reestruturação completa do serviço.
As declarações do prefeito buscam reafirmar o compromisso da administração municipal com a manutenção da assistência de urgência na região, mas não eliminam o ambiente de tensão entre gestão, trabalhadores e usuários. A efetividade das promessas dependerá, segundo entidades da saúde, de ações concretas, transparência no planejamento e diálogo permanente com os profissionais que sustentam o funcionamento diário da rede pública.
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