Golpe de aluguel e revenda de carros movimenta esquema milionário em Goiás: grupo é alvo de operação policial
Investigação aponta prejuízo significativo para empresas locadoras e vítimas de estelionato em várias cidades do estado. Suspeitos usavam contratos fraudulentos para alugar e revender veículos.

Um esquema sofisticado de aluguel e revenda ilegal de carros está sendo desmantelado pela polícia em Goiás. Três suspeitos foram presos até a manhã desta quinta-feira (28), e outros três já foram identificados e estão foragidos. Segundo o delegado Fernando Gama, responsável pela investigação, o grupo é acusado de subtrair veículos de locadoras por meio de contratos fraudulentos e revendê-los no interior do estado e até em outras regiões.
Pelo menos 10 veículos foram negociados pelo grupo, que teria prejudicado cinco locadoras e diversas pessoas que compraram os carros acreditando que se tratavam de negociações legais. Os prejuízos totais ainda estão sendo levantados. Os suspeitos poderão responder por associação criminosa, furto qualificado mediante fraude e estelionato, acumulando penas significativas caso condenados.
Como o esquema funcionava
De acordo com as investigações, pessoas com ficha limpa eram recrutadas para alugar os veículos usando documentos verdadeiros. Cada indivíduo recebia cerca de R$ 1.500 por veículo alugado. Com contratos de prazos mais longos — geralmente 15 dias —, os carros eram repassados rapidamente para outros membros da quadrilha.
Os veículos eram então manipulados para dificultar a localização: os rastreadores eram retirados, e os carros seguiam para cidades do interior, onde eram revendidos ou utilizados como moeda de troca em negócios fraudulentos.
A polícia identificou dois tipos de envolvidos no esquema: os responsáveis por alugar os veículos e os encarregados de revendê-los. “O mentor do grupo, já preso, era reincidente e possuía outro mandado de prisão em aberto por práticas semelhantes”, explicou o delegado Fernando Gama.
Vendas e vítimas
Os carros furtados foram localizados em cidades como São Luís de Montes Belos, Jaraguá, Aruanã, Anápolis, Trindade e Palmas (TO). Alguns veículos foram recuperados pela Polícia Militar e pela Polícia Rodoviária Federal, muitas vezes com os compradores sendo autuados por receptação ou furto qualificado.
Em um dos casos mais emblemáticos, dois carros furtados foram usados para pagar um serviço de vidraçaria em um galpão de Trindade. O prejuízo para a empresa de vidros chegou a R$ 156 mil, já que os criminosos ainda receberam um “troco” de R$ 17 mil após pagar com os veículos.
Outros carros foram vendidos como “financiados com débito judicial” — prática conhecida como ágio estourado —, na qual o comprador adquire o carro por um valor bem abaixo do mercado, mas assume o risco de apreensão. Em um exemplo, um carro avaliado em R$ 80 mil foi vendido por apenas R$ 15 mil.
Operação policial
A operação cumpriu seis mandados de busca e apreensão em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Nerópolis. Durante as buscas, foram localizados outros 10 contratos de locação suspeitos, que estão sendo analisados pela polícia.
“Desde o primeiro registro em novembro de 2023, as evidências apontam para um golpe organizado e recorrente, que une fraude documental e revenda ilícita de veículos”, explicou Fernando.
Orientação para vítimas
A polícia recomenda que vítimas de estelionato entrem em contato com as autoridades e apresentem provas das transações realizadas. As locadoras também estão sendo orientadas a revisar seus sistemas de segurança e critérios de aprovação de contratos para evitar novos golpes.
As investigações continuam, com a expectativa de mais prisões nos próximos dias.
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