Goiás inicia campanha de multivacinação com alerta para risco de reintrodução do sarampo
Mobilização segue até 1º de setembro, com Dia D em 22 de agosto, para ampliar a cobertura vacinal de crianças e adolescentes e reduzir o risco de circulação de doenças preveníveis.

O Governo de Goiás deu início nesta segunda-feira (3) à Campanha Nacional de Multivacinação 2026, uma mobilização que busca ampliar a cobertura vacinal em todos os municípios do estado e atualizar o esquema de imunização de crianças e adolescentes de até 14 anos. A ação, coordenada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) em conjunto com o Ministério da Saúde, segue até 1º de setembro, enquanto o Dia D Nacional está marcado para 22 de agosto.
A campanha ocorre em um momento de atenção para a saúde pública diante da queda das coberturas vacinais registrada nos últimos anos em diversas regiões do país. Embora Goiás apresente recuperação gradual dos índices desde 2023, a maioria das vacinas do calendário infantil ainda permanece abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde.
Entre as principais preocupações das autoridades sanitárias está o sarampo. A confirmação de casos no estado de São Paulo elevou o nível de vigilância em outras unidades da federação, incluindo Goiás. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, alcançou cerca de 90% de cobertura em 2025. Entretanto, quando analisada apenas a segunda dose do imunizante, o índice permanece inferior a 70%, percentual considerado insuficiente para garantir proteção coletiva.
Durante o lançamento da campanha, o secretário-adjunto de Saúde, Luciano Carvalho, ressaltou que a vacinação continua sendo a medida mais eficaz para impedir a circulação de doenças imunopreveníveis e evitar novos surtos.
A superintendente de Vigilância Epidemiológica e Imunização da SES, Cristina Laval, informou que Goiás já registrou 21 notificações suspeitas de sarampo neste ano. Até o momento, nenhum caso foi confirmado. Ainda assim, a pasta orientou as Regionais de Saúde e os municípios a reforçarem a vigilância epidemiológica, notificarem imediatamente casos suspeitos e adotarem bloqueio vacinal quando necessário para impedir eventual disseminação do vírus.
O alerta ocorre porque, apesar de o Brasil ter recuperado, em 2024, o certificado de país livre da circulação endêmica do sarampo, concedido após anos de controle da doença, o risco de reintrodução permanece devido à ocorrência de casos importados e à redução das coberturas vacinais em parte da população.
Além da tríplice viral, outras vacinas seguem abaixo dos índices considerados ideais. A imunização contra febre amarela continua entre as que apresentam menor cobertura no estado, permanecendo abaixo de 80%. Os imunizantes contra hepatite A, poliomielite, pentavalente e outras doenças do calendário básico também ainda não atingiram as metas nacionais, embora tenham registrado evolução nos últimos anos.
A exceção é a vacina BCG, aplicada nos primeiros dias de vida para prevenção das formas graves da tuberculose. Em Goiás, a cobertura passou de 79% para 94,78%, superando a meta mínima prevista para esse imunizante.
A campanha contempla todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação destinadas ao público infantil e adolescente. Entre elas estão BCG, HPV, Rotavírus Humano, Pentavalente, Pneumocócica, Meningocócica C, Meningocócica ACWY, Poliomielite, Febre Amarela, Hepatite A, Tríplice Viral, Influenza e demais imunizantes indicados conforme a faixa etária e a situação vacinal de cada pessoa.
As equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) realizarão a conferência das cadernetas de vacinação, identificarão esquemas incompletos e aplicarão as doses necessárias. Para receber o atendimento, é necessário apresentar a caderneta de vacinação, documento de identificação, CPF e Cartão Nacional de Saúde (Cartão SUS), quando disponível.
A Secretaria de Estado da Saúde reforça que a participação das famílias é fundamental para elevar a cobertura vacinal, proteger crianças e adolescentes contra doenças potencialmente graves e reduzir o risco de reintrodução de enfermidades já controladas no país.
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