Goiás amplia sistema de inteligência policial para 202 municípios com 4,4 mil novas câmeras
Segunda fase do IA Contra o Crime prevê reconhecimento facial, leitura de placas e 14 Centros de Comando e Controle; governo estima cobertura de 95% da população até o fim de 2026

O Governo de Goiás anunciou nesta segunda-feira (14) a expansão do programa IA Contra o Crime para 202 municípios goianos ainda em 2026. A segunda etapa prevê a instalação de 4.435 novas câmeras de monitoramento, incluindo equipamentos com reconhecimento facial e leitura automática de placas, além da implantação de 14 Centros de Comando e Controle (CCCs) regionais.
Com a ampliação, a plataforma deverá chegar a 5.362 câmeras distribuídas pelas 22 Regiões Integradas de Segurança Pública (RISPs). Segundo o governo estadual, a expectativa é que o sistema alcance aproximadamente 95% da população de Goiás até o fim do ano.
A expansão pretende levar para o interior uma estrutura de videomonitoramento baseada em inteligência artificial já utilizada em etapas preliminares do programa. A tecnologia deverá ser empregada como ferramenta de apoio ao trabalho das forças de segurança, com diferentes aplicações de acordo com a atividade de cada corporação.
Tecnologia terá reconhecimento facial e leitura de placas
Do total de novos equipamentos previstos, 3.289 câmeras serão destinadas à leitura automática de placas, utilizando tecnologia conhecida como LPR, enquanto outras 1.146 terão capacidade de reconhecimento facial.
Os sistemas de reconhecimento facial serão integrados ao Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP) e à base do Goiás Biométrico. Conforme o governo, a integração poderá auxiliar na identificação de pessoas procuradas pela Justiça e no cumprimento de mandados de prisão.
Uma das funcionalidades destacadas pelo governador Daniel Vilela é a possibilidade de realizar pesquisas a partir de características visuais registradas pelas câmeras. Segundo ele, o sistema pode utilizar elementos como cor de roupas, características de veículos e adesivos para auxiliar na localização de pessoas ou automóveis.
A ferramenta, portanto, não ficará limitada à busca por uma placa específica ou por uma identidade previamente conhecida, conforme a descrição apresentada pelo governo durante o anúncio.
Interior terá 14 centros de monitoramento
A nova fase também prevê a implantação de 14 Centros de Comando e Controle regionais. Entre as cidades mencionadas para receber essas estruturas estão Anápolis, Rio Verde, Itumbiara, Jataí e Porangatu.
Os centros deverão concentrar a operação e o acompanhamento das informações produzidas pelos equipamentos instalados nas diferentes regiões do Estado.
A expansão da infraestrutura ocorre paralelamente à instalação dos postes necessários para receber as câmeras. Segundo João Batista Grego, presidente da Goiás Tecnologia, mais de 3,8 mil postes haviam sido instalados em menos de 90 dias, representando cerca de 90% da estrutura prevista para essa etapa.
Na atualização apresentada durante o evento, a instalação das câmeras estava com aproximadamente 80% de execução.
Governo relaciona programa à redução de crimes
Durante o anúncio da expansão, o Governo de Goiás também apresentou dados comparando os registros criminais de janeiro a agosto de 2025 com o mesmo período de 2026.
Entre os indicadores apresentados, os homicídios dolosos passaram de 514 para 511 ocorrências, redução de 0,6%. Os registros de estupro caíram de 495 para 470, enquanto os latrocínios passaram de 15 para 11 casos.
A redução mais expressiva ocorreu entre alguns crimes contra o patrimônio. Os roubos de carga passaram de dez para três registros, enquanto os roubos de veículos caíram de 366 para 229. Também foram registradas quedas nos roubos a estabelecimentos comerciais, de 229 para 149, e a transeuntes, de 2.706 para 1.859.
Entre os furtos, os registros envolvendo veículos recuaram de 2.181 para 1.706 casos. Os furtos contra transeuntes passaram de 3.147 para 2.517 ocorrências.
Os números foram apresentados pelo governo estadual como parte do panorama da segurança pública em Goiás. Os dados, por si só, não permitem atribuir automaticamente as reduções exclusivamente ao uso da inteligência artificial.
Sistema será usado por diferentes forças
A plataforma foi projetada para atender necessidades distintas das forças que integram a segurança pública estadual.
Na Polícia Militar, o sistema poderá apoiar o patrulhamento e as ações operacionais. Na Polícia Civil, a tecnologia deverá auxiliar investigações e a produção de elementos para apuração dos crimes.
A Polícia Científica poderá utilizar informações para coleta e cruzamento de dados, enquanto o Corpo de Bombeiros terá aplicação voltada ao monitoramento e combate a queimadas.
Segundo o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, José Frederico Neto, a tecnologia não substitui a avaliação dos profissionais. A decisão sobre uma abordagem ou outra medida operacional continua sendo responsabilidade dos agentes.
Expansão começou com testes em Goiás
O programa foi inicialmente testado no Entorno do Distrito Federal e na Região Metropolitana de Goiânia. Segundo o governador, a plataforma já teria contribuído para a solução de mais de 2,5 mil crimes desde o início dos testes.
O secretário de Segurança Pública, Renato Brum, afirmou que a expansão para o interior foi precedida por apresentações da tecnologia a representantes municipais e às forças de segurança das diferentes regiões.
A ampliação busca criar uma rede integrada de monitoramento capaz de compartilhar informações entre diferentes áreas do Estado, aumentando a capacidade de acompanhamento de pessoas, veículos e ocorrências.
Infraestrutura de dados ainda está em implantação
Apesar do avanço na instalação física dos equipamentos, a estrutura tecnológica ainda não está completamente concluída. De acordo com informações apresentadas pela Goiás Tecnologia, o governo estava na fase final de contratação do ambiente destinado ao tratamento e processamento dos dados coletados pelas câmeras.
A conclusão dessa etapa será necessária para que toda a infraestrutura planejada opere de forma integrada.
Com a expansão, Goiás pretende consolidar uma rede estadual de videomonitoramento baseada em inteligência artificial, combinando reconhecimento facial, leitura de placas e análise de imagens. A previsão anunciada pelo governo é chegar a 202 municípios e alcançar 95% da população goiana até o fim de 2026.
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