Goiás amplia saldo externo e encerra 2025 com superávit de US$ 8 bilhões, 20% acima do ano anterior
Boletim do Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica aponta avanço das exportações, retração das importações e consolidação do agronegócio como eixo da pauta comercial

O comércio exterior de Goiás registrou desempenho robusto em 2025, com exportações que somaram US$ 13,4 bilhões e superávit comercial de US$ 8 bilhões — resultado 20% superior ao observado em 2024. Os números constam no Boletim do Comércio Exterior referente ao período de janeiro a dezembro, elaborado pelo Instituto Mauro Borges (IMB), vinculado à Secretaria-Geral de Governo.
O crescimento de 8,9% nas exportações, combinado à retração de 4,4% nas importações — que totalizaram US$ 5,3 bilhões — reforça o movimento de fortalecimento do saldo comercial goiano. Apenas em dezembro, as vendas externas alcançaram US$ 1 bilhão, alta de 24,8% na comparação interanual, com superávit mensal de US$ 613,7 milhões, avanço de 77%.
No cenário nacional, Goiás ocupou a oitava posição entre as unidades da federação exportadoras, respondendo por 3,8% das exportações brasileiras, indicador que confirma a relevância crescente do estado na pauta externa do país.
Predominância das commodities e diversificação de mercados
A estrutura exportadora permaneceu fortemente ancorada no agronegócio, responsável por 81,4% das vendas externas e por US$ 10,9 bilhões em receitas, crescimento de 7% frente ao exercício anterior. O complexo soja liderou com US$ 6,2 bilhões (46,5% do total exportado), seguido pelo complexo carne, com US$ 2,7 bilhões (20,6%), e pelo complexo minério, que alcançou US$ 1,8 bilhão (13,4%). O milho e derivados somaram US$ 1 bilhão, com expansão de 22,4%.
A concentração em commodities agrícolas e minerais permanece como característica central da pauta goiana: soja, carnes e minério responderam por 80,6% das exportações do estado. Ainda assim, o boletim destaca avanço na diversificação de destinos comerciais.
A China manteve-se como principal parceiro, absorvendo US$ 5,8 bilhões (43,4% do total), crescimento de 8,5% sobre 2024. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com US$ 641 milhões (4,8%) e elevação expressiva de 57%. O Irã registrou US$ 392 milhões (2,9%), com alta de 95,9%. O México destacou-se pelo avanço de 148,3% nas aquisições, especialmente de carnes.
Perfil das importações e parceiros estratégicos
Do lado das compras externas, Goiás concentrou importações em bens industriais e insumos de maior valor agregado. Produtos farmacêuticos lideraram com US$ 1,9 bilhão (36,2%), seguidos por veículos, tratores e partes (US$ 773 milhões; 14,4%) e reatores e equipamentos mecânicos (US$ 689 milhões; 12,9%).
A China também figurou como principal país fornecedor, respondendo por 25,2% das importações goianas, seguida por Alemanha (12,3%) e Estados Unidos (9,2%). O perfil indica forte integração com cadeias globais de tecnologia, indústria farmacêutica e bens de capital.
Dinâmica municipal e concentração regional
A distribuição territorial das exportações revela concentração em polos agroindustriais. Rio Verde liderou com US$ 3,4 bilhões (29% do total), seguida por Jataí (9,6%) e Mozarlândia (5,8%). Os dez principais municípios responderam por 69,8% das vendas externas.
No campo das importações, a concentração é ainda mais acentuada: dez municípios representaram 96,3% do total adquirido. Anápolis destacou-se com US$ 2,1 bilhões (40,3%), refletindo a força do polo farmacêutico e industrial local. Catalão (20,8%) e Aparecida de Goiânia (15,3%) completam o eixo de maior intensidade importadora.
Inserção internacional e base produtiva
O desempenho de 2025 evidencia a combinação entre competitividade do agronegócio, capacidade logística e inserção estratégica em mercados consolidados e emergentes. A ampliação do superávit, em um contexto de crescimento moderado das exportações e retração das importações, sugere ganho de eficiência e fortalecimento da posição externa do estado.
O Boletim do Comércio Exterior do IMB detalha a composição por produtos, municípios e países parceiros, oferecendo panorama técnico da evolução da balança comercial goiana e dos vetores estruturais que sustentam sua presença no comércio internacional.
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