Goiânia inicia vacinação contra dengue em profissionais da Atenção Primária com doses do Instituto Butantan
Capital recebe 1.640 imunizantes e prioriza trabalhadores de 40 a 59 anos; cenário epidemiológico aponta predominância do sorotipo 3 e alta incidência em seis distritos sanitários

A Prefeitura de Goiânia deu início à vacinação contra a dengue destinada a profissionais da rede municipal de saúde. A aplicação das doses ocorre nas próprias unidades da Atenção Primária, sob coordenação da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, que recebeu 1.640 imunizantes do Governo de Goiás.
A vacina utilizada é a Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan no âmbito do Sistema Único de Saúde. Nesta etapa inicial, o público-alvo é composto por trabalhadores da linha de frente, com prioridade para a faixa etária de 40 a 59 anos, seguindo ordem decrescente de idade conforme disponibilidade de doses.
A estratégia, segundo a SMS, busca proteger profissionais expostos diariamente ao atendimento de pacientes com sintomas de arboviroses, além de preservar a capacidade operacional da rede pública em período de maior pressão assistencial. A vacinação ocorre de forma descentralizada, aplicada por equipes dos distritos sanitários diretamente nos postos de trabalho.
O início da imunização coincide com cenário epidemiológico de atenção. De acordo com o boletim mais recente de arboviroses divulgado pela secretaria municipal, Goiânia contabiliza 4.139 casos confirmados de dengue nas oito primeiras semanas de 2026, além de um óbito atribuído à doença. A circulação viral é majoritariamente do sorotipo 3, responsável por aproximadamente 75% das confirmações, seguido pelo sorotipo 2.
O levantamento aponta ainda 26 casos de chikungunya, um de zika e dois de febre amarela no período analisado. Seis dos sete distritos sanitários apresentam classificação de risco alto para dengue — Oeste, Leste, Campinas-Centro, Norte, Sul e Noroeste — enquanto a região Sudoeste permanece em nível médio. Campinas-Centro e Noroeste concentram os maiores números absolutos de casos confirmados.
A vacinação integra um conjunto mais amplo de medidas de enfrentamento. A prefeitura mobilizou 750 agentes de combate a endemias para executar aproximadamente 2,5 milhões de visitas domiciliares ao longo do ciclo sazonal, com foco na eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti e na fiscalização de imóveis considerados críticos. A ação inclui 1.116 propriedades previamente mapeadas como potenciais focos de risco sanitário.
Paralelamente, a Companhia de Urbanização de Goiânia intensificou serviços de roçagem e poda, reduzindo áreas propícias ao acúmulo de água. Na rede assistencial, foram distribuídas 40 poltronas de hidratação, 92 escadas hospitalares e 42 suportes para soro às unidades de urgência e emergência, ampliando a estrutura para manejo clínico de pacientes com quadros moderados e graves.
Especialistas ressaltam que a vacinação, embora relevante, não substitui as medidas de controle vetorial e a vigilância epidemiológica. A efetividade do enfrentamento depende da combinação entre imunização estratégica, diagnóstico precoce, assistência adequada e eliminação sistemática de focos do vetor.
Com a chegada de novas remessas, a tendência é que o público-alvo seja ampliado progressivamente, conforme diretrizes técnicas e disponibilidade nacional de doses. Até lá, a capital mantém estado de vigilância intensificada diante do padrão de circulação viral observado neste início de ano.
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