Goiânia aprova corte de 20 sibipirunas no Setor Sul após avaliação da Amma e compensa com novos plantios
Com respaldo técnico, a Prefeitura autoriza extirpação apenas de exemplares em risco iminente; compensação ambiental prevê o plantio de árvores de espécies adequadas sob supervisão da Agência Municipal de Meio Ambiente.

A Prefeitura de Goiânia, por meio da Companhia de Urbanização (Comurg), planeja a remoção de 20 árvores da espécie sibipiruna ( Cent ostigma pluviosum ) localizadas nas ruas 132 e 148 do Setor Sul, com base em parecer técnico da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) que apontou risco fitossanitário e estrutural. A autorização vale para 11 árvores na Rua 132 e 9 na Rua 148, todas na calçada que margeia o terreno do Clube dos Oficiais, o que evita interferência direta em áreas residenciais ou comerciais vizinhas.
De acordo com o laudo da Amma, muitos dos exemplares presentes apresentam sintomas de comprometimento: infestação por brocas, necroses, galhos secos, inclinações perigosas e desgaste natural por “final de ciclo biológico”. Essas características configuram risco de queda, justificando a autorização para corte. A agência estabeleceu uma limitação: será removido apenas o que foi classificado como “em iminente risco de queda” nesta etapa inicial.
Ainda segundo a Amma, as intervenções serão seguidas por compensação ambiental. O Clube dos Oficiais foi requisitado a plantar 11 mudas da espécie resedá-gigante (Lagerstroemia speciosa) ao longo da Rua 132 e 9 mudas de nó-de-porco (Physocalymma scaberrimum) na Rua 148. Esses plantios devem obedecer às especificações técnicas definidas pela agência, respeitando o planejamento paisagístico e as dimensões das calçadas.
No laudo, a Amma sugere uma estratégia gradual de substituição: após a retirada dos exemplares condenados, será iniciado um novo processo de vistoria para autorizar, de forma progressiva, a remoção de outras árvores, mantendo um equilíbrio entre segurança urbana e preservação da arborização.
As sibipirunas, espécie de grande porte e considerada exótica no contexto goianiense — originária do bioma Mata Atlântica e introduzida em Goiânia entre as décadas de 1930 e 1950 —, são frequentemente alvo de debates na cidade. O modelo tradicional de plantio adotado em vias públicas não favorece o desenvolvimento saudável de suas raízes, o que tem causado danos ao calçamento e até ao asfalto nas vias arborizadas. Além disso, a Comurg informou que já registrou centenas de quedas ou remoções autorizadas este ano, reflexo tanto de condições fitossanitárias quanto de eventos climáticos extremos.
A legislação municipal (Lei Complementar nº 374/2024) exige que qualquer corte de árvore pública seja precedido por vistoria da Amma e a execução por parte da Comurg, conforme previsão no Plano Diretor de Arborização Urbana. A agência também exige um Termo de Compromisso Ambiental com o responsável pelas áreas adjacentes, para garantir o plantio adequado e a manutenção das novas árvores.
O processo de retirada inicialmente previsto para ocorrer em um fim de semana foi adiado pela Prefeitura, sem nova data divulgada até o momento. A decisão gerou reações entre moradores, ambientalistas e frequentadores do Clube dos Oficiais, que acompanham com atenção o desenrolar da compensação green e as garantias de preservação estruturada no plano de replantio.
A operação é mais um exemplo de como a gestão municipal tenta conciliar manutenção da arborização urbana com a segurança da população e a sustentabilidade ambiental — um equilíbrio delicado em uma cidade onde a pressão por espaço, infraestrutura e vegetação coexistem em um terreno técnico e regulatório complexo.
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