Funcionário da Metrobus morre após ônibus cair durante manutenção em Goiânia
Borracheiro de 59 anos sofreu esmagamento enquanto realizava rodízio de pneus; família questiona condições do local de trabalho e empresa afirma apurar circunstâncias

Um funcionário da Metrobus morreu dias depois de ser atingido por um ônibus durante procedimento de manutenção em Goiânia. Nadir Oliveira Lima, de 59 anos, trabalhava há quatro décadas na empresa e executava serviço de rodízio de pneus quando o veículo cedeu e caiu sobre ele. O caso levanta questionamentos sobre protocolos de segurança e condições estruturais da área onde o reparo era realizado.
De acordo com informações registradas pelo Corpo de Bombeiros no atendimento da ocorrência, o acidente ocorreu enquanto o trabalhador utilizava um macaco hidráulico para suspender o ônibus. O equipamento teria apresentado falha, provocando a queda do veículo. O impacto resultou em fraturas na região pélvica e esmagamento na área da bexiga, conforme relato de familiares.
Socorrido em estado grave, Nadir foi encaminhado ao Hospital Estadual de Urgências Governador Otavio Lage de Siqueira, unidade de referência em traumas de alta complexidade. Após permanecer internado por alguns dias, recebeu alta médica, mas precisou retornar à unidade hospitalar devido a complicações clínicas e morreu posteriormente. O laudo oficial com a causa da morte ainda não havia sido entregue à família até a última atualização.
Segundo parentes, o trabalhador teria alertado um superior sobre a inadequação do terreno onde o serviço era realizado. A área, de solo não pavimentado, poderia comprometer a estabilidade do macaco hidráulico, especialmente sob o peso de um ônibus articulado. A alegação central da família é de que o tipo de piso — sem concreto ou asfalto — aumentaria o risco de afundamento do equipamento de sustentação.
Em nota, a Metrobus informou que está conduzindo apuração interna para esclarecer as circunstâncias do acidente e afirmou prestar suporte à família. A empresa declarou que, até o momento, não há registro formal de comunicado de risco específico relacionado ao procedimento que não tenha sido tratado dentro dos fluxos internos de segurança. Também destacou que os profissionais utilizam equipamentos de proteção individual, como botinas, luvas, máscaras e protetores auriculares.
Especialistas em segurança do trabalho apontam que intervenções em veículos pesados exigem protocolos rígidos de estabilização, incluindo uso de calços, cavaletes de sustentação e superfície nivelada e resistente. A eventual falha de um macaco hidráulico, sobretudo em solo irregular, pode comprometer a distribuição de carga e provocar deslocamento súbito.
O caso deverá ser analisado pelas autoridades competentes sob a perspectiva de acidente de trabalho, com possibilidade de investigação por órgãos de fiscalização laboral. A apuração técnica deverá considerar condições do equipamento, treinamento, ambiente operacional e cumprimento das normas regulamentadoras aplicáveis à manutenção de veículos de grande porte.
A morte de um trabalhador com 40 anos de vínculo na mesma empresa amplia o debate sobre prevenção de riscos ocupacionais em atividades de manutenção pesada, especialmente em estruturas públicas de transporte coletivo.
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