Fiscalização ampliada e leve recuo em condutores que assumem dirigir após bebida marcam Goiás — mas número ainda preocupa
Segundo a pesquisa Vigitel Goiás 2025, 10,4% dos adultos goianos admitiram ter conduzido veículo após ingerir álcool; apesar da queda em relação a 2022, o aumento de 40% nas autuações pelo Departamento Estadual de Trânsito de Goiás sinaliza também um problema crescente de fiscalização e ciclo de risco

Uma nova edição da Vigitel Goiás, realizada pelo Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), revela que 10,4% dos adultos no Estado admitiram ter dirigido veículo após consumir bebida alcoólica — índice ligeiramente menor que os 10,8% registrados em 2022.
Paradoxalmente, no mesmo período (janeiro a outubro), o Detran-GO contabilizou 14.564 autuações por alcoolemia, um aumento de aproximadamente 40% frente às 10.398 infrações do mesmo período em 2022.
O que esses números indicam
A combinação entre leve redução na autorrelatação de dirigir após beber e forte elevação das autuações sugere dois fenômenos complementares:
- Maior atuação ostensiva e fiscalizadora do Detran-GO e parceiros, elevando a detecção de infrações;
- Possível alteração no comportamento ou no relato dos condutores, que podem estar mais cautelosos ou omitindo a conduta, diante da intensificação das operações.
Segundo o presidente do Detran-GO, Delegado Waldir, “o trabalho integrado com Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, guardas municipais e agentes de trânsito” tem sido ampliado com o objetivo de “inibir cada vez mais o motorista que insiste em beber e dirigir”. Ele aponta ainda que “o grande número de CNHs suspensas é um fator inibidor importante”.
Apesar disso, o órgão considera que os índices permanecem altos: “um em cada dez adultos” admitiu essa conduta, o que representa “risco elevado” para a segurança viária no Estado.
Desafio de política pública
O valor da multa por dirigir sob efeito de álcool em Goiás foi citado pelo presidente do Detran-GO como insuficiente diante da gravidade da conduta. Ele sugeriu que, para ter efeito educador real, o valor deveria subir para faixa de R$ 10 mil a R$ 15 mil — muito acima da penalidade atual, próxima de R$ 3 mil.
Adicionalmente, o Detran-GO informou estar estruturando a formação de mais de 60 policiais especializados no policiamento ostensivo de trânsito para as operações “Balada Responsável” em todo o Estado. A meta é que essas ações deixem de ser pontuais e se tornem permanentes.
Impacto e implicações
Combinando álcool e direção, condutores elevam substancialmente o risco de acidentes graves e mortes no trânsito. A atuação fiscalizatória mais intensa pode resultar em menos casos não reportados, porém a persistência da conduta autorrelatada demonstra que a engrenagem de prevenção ainda exige reforços — nas políticas de educação para o trânsito, nas sanções e na mobilização comunitária.
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