Detran-GO destrói toneladas de peças ilegais e endurece combate ao mercado clandestino automotivo
Ação inédita no país aplica integralmente a Lei do Desmonte e retira de circulação veículos e componentes sem procedência em Goiás
O Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) iniciou a etapa mais rigorosa da política de fiscalização do setor automotivo ao promover a prensagem de cerca de 150 toneladas de peças e veículos irregulares, apreendidos em operações recentes. A medida marca a aplicação efetiva da Lei do Desmonte no estado, mais de uma década após sua criação, e inaugura um novo patamar de controle sobre o comércio de peças usadas no Brasil.
O material destruído é resultado de uma força-tarefa iniciada em 2025, que fiscalizou 39 empresas em 13 municípios de Goiás, com a apreensão de aproximadamente 45 mil peças automotivas e 400 veículos sem comprovação de origem regular. Parte desse volume — incluindo cerca de 12 mil peças e 150 veículos — foi destinada à inutilização definitiva após a conclusão dos processos administrativos.
As ações são coordenadas pela Gerência de Ação Integrada do Detran-GO, com apoio da Secretaria de Segurança Pública de Goiás, Polícia Militar de Goiás, Polícia Civil de Goiás, Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, além de órgãos técnicos e reguladores. O trabalho conjunto busca desarticular cadeias ilegais associadas à comercialização de peças oriundas de veículos furtados ou roubados, um dos principais vetores de criminalidade no setor.
De acordo com o gerente de Ação Integrada, Clives Sanches, a destruição do material representa o estágio final de um processo técnico e jurídico que inclui apreensão, catalogação, perícia e julgamento administrativo. Apenas após a decretação de perdimento — quando não há comprovação de origem lícita — os itens são destinados à prensa, impedindo qualquer reintrodução no mercado.
O presidente do Detran-GO, Waldir Soares, afirma que a iniciativa corrige uma lacuna histórica na aplicação da legislação. Segundo ele, houve período de transição e diálogo com o setor para regularização das atividades, mas a partir de agora a fiscalização será permanente e mais rigorosa. A política, segundo o órgão, busca proteger o consumidor, garantir concorrência leal e reduzir a circulação de peças de procedência criminosa.
Além do aspecto de segurança pública, a medida também possui implicações ambientais. O descarte controlado de componentes automotivos evita a contaminação do solo e da água por resíduos como óleos, metais pesados e materiais plásticos, alinhando a fiscalização a diretrizes de sustentabilidade e gestão de resíduos.
Especialistas em regulação de trânsito e segurança veicular apontam que a aplicação efetiva da Lei do Desmonte tende a impactar diretamente o mercado paralelo, historicamente associado à receptação e ao desmonte irregular. Ao impor rastreabilidade e exigir credenciamento das empresas, a legislação cria barreiras operacionais para práticas ilícitas e fortalece o setor formal.
A operação de prensagem, acompanhada por autoridades como o secretário de Segurança Pública, Renato Brum, e o comando da Polícia Militar, consolida uma mudança de paradigma na fiscalização automotiva em Goiás, com potencial de servir como referência para outros estados.
Tags: #DetranGO, #LeiDoDesmonte, #Goiás, #SegurançaPública, #Fiscalização, #Veículos, #CrimeAutomotivo, #Sustentabilidade

