Câmara Municipal de Goiânia reabre sessões sob pressão da saúde e sem presença do prefeito Sandro Mabel.
Retomada dos trabalhos ocorre sem Sandro Mabel no plenário e com mobilização de médicos da rede municipal nas galerias

A Câmara Municipal de Goiânia retomou as atividades legislativas com sessão marcada por forte mobilização de médicos da rede pública e pela ausência do prefeito Sandro Mabel na solenidade de abertura. O retorno após o recesso parlamentar ocorreu em ambiente de tensão institucional, com a saúde municipal no centro do debate político.
Enquanto vereadores declaravam oficialmente reiniciados os trabalhos, profissionais médicos ocuparam as galerias do plenário para cobrar respostas sobre mudanças contratuais, condições de trabalho e organização da assistência nas unidades básicas e de urgência da capital. A presença expressiva da categoria transformou a sessão em espaço de reivindicação pública, pressionando o Legislativo a ampliar a fiscalização sobre as políticas adotadas pela administração.
Segundo a assessoria do prefeito, Mabel cumpria agenda institucional na sede da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste, em Brasília. A equipe informou que havia intenção de comparecimento à Câmara, mas incompatibilidade de horários impediu a participação. A vice-prefeita, Coronel Cláudia, esteve no início da sessão, mas deixou o plenário sob a justificativa de compromisso na mesma agenda externa.
Nos bastidores, parlamentares admitiram que o contexto de mobilização pesou na decisão política de evitar exposição direta do chefe do Executivo em um ambiente potencialmente conflagrado. O vereador Tião Peixoto declarou publicamente que orientou o prefeito a não comparecer, avaliação que reflete o cálculo estratégico de reduzir desgaste institucional no primeiro dia de retomada legislativa.
Saúde no centro da agenda
A mobilização dos médicos ocorre em meio a questionamentos sobre vínculos contratuais, remuneração e estrutura das unidades de saúde. Profissionais relatam sobrecarga de atendimento, déficit de insumos e incertezas quanto à estabilidade dos contratos. A categoria também cobra maior transparência sobre eventuais mudanças administrativas que possam impactar a continuidade dos serviços.
Especialistas em gestão pública apontam que a relação entre Executivo e servidores da saúde tende a ganhar centralidade no calendário legislativo, especialmente em períodos de reorganização administrativa. A Câmara, por sua vez, exerce papel fiscalizador e pode convocar gestores para prestar esclarecimentos formais.
Equilíbrio institucional
A ausência do prefeito na sessão inaugural não configura obrigação legal descumprida, mas possui simbolismo político relevante, sobretudo diante de mobilizações setoriais. Em legislaturas anteriores, a presença do chefe do Executivo na reabertura dos trabalhos foi interpretada como gesto de alinhamento institucional.
Com o início do novo período legislativo, vereadores deverão analisar projetos prioritários do Executivo e pautas de interesse direto da administração municipal. Ao mesmo tempo, a pressão de categorias profissionais tende a influenciar a agenda da Casa, ampliando o espaço para debates sobre financiamento, contratos e qualidade da assistência em saúde.
O cenário indica que o diálogo entre Executivo e Legislativo será testado logo nas primeiras semanas de trabalho, com a saúde pública consolidando-se como eixo central das discussões políticas na capital.
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