Anvisa aprova nova vacina contra gripe para pessoas a partir dos 6 meses
Registro da Fluprevli amplia as opções de imunização contra influenza no Brasil; especialistas reforçam que a vacinação continua sendo a principal medida para reduzir casos graves da doença.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da Fluprevli, uma nova vacina trivalente inativada contra a influenza indicada para pessoas a partir dos seis meses de idade. A autorização representa mais uma alternativa para a prevenção da gripe causada pelos vírus influenza A e B, responsáveis por milhares de internações e mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) todos os anos no país.
Segundo a Anvisa, a vacina é destinada à imunização ativa contra as cepas de influenza previstas em sua formulação e passou pelo processo de avaliação regulatória que analisou critérios de qualidade, segurança e eficácia antes da concessão do registro sanitário.
Os estudos clínicos apresentados à agência demonstraram elevados índices de soroproteção e soroconversão — indicadores utilizados para medir a resposta imunológica após a vacinação. Conforme os dados avaliados pela Anvisa, a eficácia chegou a até 73% na prevenção da influenza em adultos e a até 65% entre crianças.
A Fluprevli é classificada como vacina trivalente, o que significa que protege contra três cepas do vírus influenza incluídas na composição aprovada: duas do tipo A e uma do tipo B. A atualização anual dessas cepas acompanha a circulação dos vírus monitorados internacionalmente, estratégia adotada para manter a efetividade da imunização.
Influenza continua sendo desafio para a saúde pública
A aprovação ocorre em um momento em que a influenza permanece entre as principais causas de complicações respiratórias no Brasil. Dados nacionais mostram que, entre janeiro e maio deste ano, foram registradas 505 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave associadas aos vírus influenza A e B. No mesmo período de 2025, esse número foi de 776 óbitos.
Os registros oficiais também apontam crescimento do número de casos da doença. Até maio de 2026, o país contabilizou 7.749 casos de SRAG relacionados à influenza, distribuídos entre infecções por H1N1, H3N2, Influenza A não subtipada e Influenza B. No mesmo intervalo do ano anterior, haviam sido registrados 6.250 casos.
Especialistas alertam que o impacto da influenza pode ser ainda maior, já que parte das mortes por SRAG permanece sem identificação laboratorial do agente causador. Entre os vírus capazes de provocar esse quadro também estão o SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19, o vírus sincicial respiratório (VSR) e o rinovírus.
Vacinação reduz risco de casos graves
Autoridades sanitárias reforçam que a vacinação permanece como a principal estratégia para diminuir internações, complicações e mortes provocadas pela influenza. Crianças pequenas, idosos, gestantes, puérperas, pessoas com doenças crônicas e indivíduos imunossuprimidos estão entre os grupos mais vulneráveis às formas graves da infecção.
A redução da cobertura vacinal observada nos últimos anos preocupa especialistas, que apontam que a menor adesão favorece a circulação do vírus e aumenta o número de pessoas suscetíveis à doença.
Embora o registro da Anvisa autorize a comercialização da Fluprevli no Brasil, essa aprovação não significa, por si só, sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). A eventual inclusão da vacina em programas públicos depende de etapas posteriores de avaliação pelos órgãos competentes.
Com a chegada de uma nova opção de imunização, a expectativa é ampliar as alternativas disponíveis para prevenção da gripe e fortalecer as estratégias de enfrentamento das doenças respiratórias, especialmente durante os períodos de maior circulação do vírus.
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