Anotações de Flávio Bolsonaro expõem disputa interna do PL em Goiás e redesenham cenário eleitoral
Registros feitos durante reunião da cúpula do partido revelam incertezas sobre candidaturas majoritárias e possível reconfiguração da bancada federal

Anotações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), feitas durante reunião estratégica da direção nacional do partido, lançaram luz sobre as tensões que atravessam o diretório goiano da legenda às vésperas do ciclo eleitoral. Imagens divulgadas por veículos de circulação nacional mostram referências diretas à disputa pelo governo de Goiás e às duas vagas ao Senado, além de observações sobre a permanência de deputados federais na sigla.
No tópico relativo ao Executivo estadual, aparecem os nomes do vice-governador Daniel Vilela, do MDB, e do senador Wilder Morais, que já confirmou pré-candidatura ao Palácio das Esmeraldas pelo PL. A movimentação ocorre em meio à expectativa de que o governador Ronaldo Caiado deixe o cargo para disputar a Presidência da República, o que abriria caminho para Vilela assumir o comando do Estado e buscar a reeleição.
No campo da disputa proporcional e das vagas ao Senado, constam os nomes da primeira-dama Gracinha Caiado e do deputado federal Gustavo Gayer. O registro referente a Gayer aparece circulado, acompanhado da anotação “Valdemar”, em provável menção a Valdemar da Costa Neto, presidente nacional da legenda. Ao lado do nome do parlamentar, há ainda a observação “pensa em desistir”, indicando dúvida quanto à consolidação de sua candidatura ao Senado.
As anotações sugerem também possível rearranjo na bancada federal goiana. Ao lado do nome do deputado Daniel Agrobom consta a expressão “quer sair”, enquanto a deputada Magda Mofatto aparece com a indicação “sai”, sinalizando eventual mudança partidária. Caso confirmadas, as movimentações podem alterar o peso do PL no Estado e impactar a formação de chapas proporcionais competitivas.
Nos bastidores, a disputa interna envolve estratégias distintas. Parte da bancada federal defendia aproximação com o grupo político de Caiado, com o objetivo de viabilizar Gayer como candidato ao Senado em composição governista, o que ampliaria suas chances eleitorais. A articulação, contudo, perdeu força após o avanço da pré-candidatura de Wilder Morais ao governo, reforçada por interlocução direta com o ex-presidente Jair Bolsonaro e pelo anúncio de alianças locais.
O quadro revela um partido dividido entre a manutenção de protagonismo próprio na eleição majoritária e a construção de alianças pragmáticas para maximizar cadeiras no Congresso. Em sistemas proporcionais como o brasileiro, a definição de nominatas e a retenção de parlamentares com base eleitoral consolidada são determinantes para o desempenho partidário, o que explica a atenção dedicada às possíveis saídas.
A exposição pública das anotações intensifica a pressão sobre lideranças estaduais para definir rumos e evitar fragmentação. Em um cenário de múltiplas pré-candidaturas e negociações cruzadas, o PL em Goiás enfrenta o desafio de compatibilizar interesses nacionais e estratégias regionais, sob risco de dispersar capital político em uma disputa que se desenha altamente competitiva.
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