Adolescente é investigado por forjar mandados contra autoridades e operar mercado ilegal com dados do Judiciário de Goiás
Polícia Civil aponta uso de credenciais furtadas do TJGO para apagar registros, inserir ordens falsas e comercializar “limpeza” de antecedentes em escala nacional
A Polícia Civil de Goiás investiga um adolescente de 15 anos apontado como o principal articulador de um esquema criminoso que envolvia a falsificação de mandados de prisão contra autoridades da República e a manipulação fraudulenta de bases oficiais do Judiciário. Segundo a apuração conduzida pela Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), o jovem utilizava credenciais legítimas de servidores e magistrados do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) para oferecer, de forma clandestina, serviços de inserção e exclusão de dados no sistema nacional de mandados.
As investigações indicam que o grupo não explorava vulnerabilidades técnicas dos sistemas, mas se valia do acesso indevido a senhas reais, obtidas por meio de furtos digitais. Com isso, as alterações eram processadas como operações regulares, o que dificultava a detecção imediata das fraudes. Entre as práticas identificadas estão a adulteração de documentos judiciais, intervenções diretas em processos em tramitação e a retirada indevida de nomes do Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP).
De acordo com a DERCC, foram confirmadas a falsificação de 102 documentos e a manipulação de ao menos cinco processos judiciais. O mesmo núcleo também teria inserido, de forma fraudulenta, supostos mandados de prisão em nome do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, episódio que levou o caso a ganhar repercussão nacional e acelerar a investigação.
O adolescente mantinha, segundo a polícia, uma rotina de aparente simplicidade ao lado da família, enquanto administrava um “balcão de negócios” digital voltado à venda de acessos e serviços ilícitos. Fora da escola há cerca de dois anos, ele demonstrava domínio técnico suficiente para gerir um mercado clandestino de credenciais, negociando pacotes de acesso e cobrando valores para alterar registros sensíveis do Judiciário.
As comunicações do grupo ocorriam por aplicativos de mensagens e plataformas restritas, com linguagem cifrada e divisão de tarefas. A estratégia central era explorar a confiança dos sistemas em logins válidos, transformando o uso indevido de senhas em uma ferramenta para fraudes silenciosas e de alto impacto institucional.
A operação policial cumpriu mandados de busca e apreensão em Goiânia e Iporá, além de ações integradas em Minas Gerais e no Distrito Federal, onde o adolescente foi localizado. A Polícia Civil ressaltou que não houve ataque cibernético direto aos sistemas do TJGO ou do BNMP. O comprometimento ocorreu a partir do furto de credenciais pessoais, possivelmente por meio de softwares maliciosos instalados em computadores de funcionários.
O inquérito segue em andamento para identificar outros integrantes do esquema, rastrear os compradores dos serviços ilegais e dimensionar o alcance das fraudes. As autoridades também avaliam medidas adicionais de segurança e conscientização para prevenir o uso indevido de acessos institucionais e preservar a integridade dos bancos de dados do Judiciário.
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