Acervo de Marília Mendonça comporta lançamentos por 20 anos, mas disputa travada compromete futuro do legado
Empresário projeta dez músicas inéditas por ano; família e gravadora Som Livre disputam direitos sobre pen drive com gravações caseiras.

A profundidade do legado deixado por Marília Mendonça transcende sua morte precoce, ocorrida em 2021. Segundo o empresário Wander Oliveira, da Workshow, está disponível um acervo amplo o bastante para garantir lançamentos inéditos por pelo menos vinte anos, à razão de dez canções anuais. Entre os registros estão músicas de estúdio, shows ao vivo, gravações caseiras e fragmentos guardados por parceiros criativos.
O “pen drive da discórdia”
O epicentro da disputa gira em torno de um pen drive contendo entre 100 e 110 arquivos, reunidos por Juliano “Tchula” Soares — parceiro e amigo íntimo da artista. O conteúdo inclui ideias em voz e violão, rascunhos e versões nunca lançadas. Oliveira defende que esse material seja entregue ao filho de Marília, Léo, quando este atingir a maioridade:
“Para mim, o pen drive pertence ao Léo … é a história da mãe dele”.
A família, representada pelo advogado Robson Cunha, alega que todo o material da cantora pertence à Som Livre, conforme cláusulas contratuais assinadas em 2019, e que o dispositivo já estaria incorporado ao acervo da gravadora para exploração futura.
Modelos contratuais em jogo
Outra frente de disputa é a modalidade de contrato que regerá novos lançamentos. Enquanto o acordo vigente permite cessão permanente dos direitos à Som Livre, Oliveira propõe uma licença temporária, de forma que, após determinado período, o controle recaia sobre a família e a Workshow — garantindo ao jovem Léo autonomia futura.
Contexto emocional e institucional
O ambiente tornou-se mais tenso após ações como o dueto póstumo de Marília com Cristiano Araújo, aprovado pela família, mas criticado por Oliveira. Ele disse que, se consultado, teria vetado o projeto “por respeito à vontade da família”.
Além das divergências, existe um fator jurídico que trava os próximos passos: por ser tutor de Léo, Murilo Huff precisa rubricar qualquer contrato que envolva o filho. Isso torna o diálogo ainda mais cauteloso e as negociações seguem suspensas até a assinatura oficial.
Legados consumados
Mesmo em meio ao impasse, o catálogo póstumo já prova sua força. O álbum “Decretos Reais”, originado de uma live durante a pandemia, gerou singles de grande impacto, como “Leão”, a música mais ouvida por brasileiros nas plataformas digitais em um único dia.
O espólio de Marília Mendonça é um tesouro artístico cujo destino se filtra entre interesses comerciais, memória afetiva e tutela legal. Seja pelo caminho da licitação equilibrada ou pela imposição contratual da gravadora, as próximas decisões definirão não só o mercado musical, mas também o acesso futuro do herdeiro ao legado da mãe.
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