Greve encerrada, mas a luta dos Administrativos da Educação Continua.
Após cerca de 20 dias de greve, os administrativos da Educação de Goiânia encerram a mobilização sem alcançar o principal objetivo que levou a categoria à paralisação: a atualização efetiva do Plano de Carreira e da tabela de vencimentos.
A tabela dos administrativos está defasada há cerca de uma década. As progressões previstas — 2% na horizontal e 12% na vertical — deveriam representar valorização profissional, reconhecimento pelo tempo de serviço e pela qualificação. No entanto, permanecem sem a devida atualização.
Desde o início da gestão Sandro Mabel, a categoria aguardava uma solução. Após sucessivas tentativas de negociação, a Prefeitura apresentou uma proposta de recomposição gradual das progressões até 2030. A categoria rejeitou a proposta por entender que uma defasagem acumulada durante anos não poderia ser corrigida somente no futuro.
Mesmo após uma audiência de conciliação no Tribunal de Justiça, a proposta não foi efetivamente modificada. Na ocasião, diante da proposta apresentada pela Prefeitura, o desembargador sinalizou a necessidade de que fosse apresentada uma nova proposta à categoria. Entretanto, a Prefeitura não apresentou uma nova proposta que alterasse efetivamente os índices ou o cronograma de recomposição das perdas.
A mudança apresentada posteriormente ficou restrita, essencialmente, à data-base dos administrativos, que seria antecipada de maio para janeiro. Ou seja, aquilo que deveria ser uma nova proposta de valorização da carreira acabou não representando uma mudança concreta naquilo que era o centro da reivindicação: a atualização da tabela e das progressões.
Em determinado momento, inclusive, a própria Prefeitura retirou a proposta da mesa de negociação. Posteriormente, ela voltou a ser apresentada, novamente sem alteração substancial na recomposição reivindicada pela categoria.
Há ainda uma contradição que precisa ser lembrada. Durante a greve, o prefeito afirmou que não negociaria com o movimento grevista porque considerava a paralisação um ato político e acusava o sindicato de utilizar a pauta para fins políticos em um ano eleitoral. Entretanto, existe registro em vídeo do próprio Sandro Mabel, ainda candidato à Prefeitura de Goiânia, utilizando justamente a situação dos administrativos da Educação em seu discurso de campanha e apresentando a solução para essa categoria como uma promessa de seu futuro governo.
Se a pauta dos administrativos podia ser utilizada politicamente durante a campanha, por que passou a ser considerada “política demais” quando os próprios trabalhadores decidiram lutar por ela?
E O PAPEL DO SINDICATO?
Outro ponto que precisa ser debatido é a condução do encerramento da greve.
A paralisação não havia sido declarada ilegal. Ainda assim, a ameaça de corte de ponto apresentada pelo prefeito foi levada à categoria como fator determinante para o encerramento do movimento.
Diante de uma ameaça que colocava em risco a remuneração dos trabalhadores, esperava-se do sindicato uma atuação capaz de oferecer segurança jurídica à categoria, utilizando os instrumentos disponíveis para contestar a medida, inclusive recorrendo às instâncias competentes, se necessário.
O que parte da categoria esperava era justamente isso: proteção, orientação jurídica e segurança para permanecer na luta por uma reivindicação considerada legítima.
A ausência de uma resposta jurídica mais contundente diante da ameaça de corte de ponto gerou insatisfação e deixou muitos trabalhadores inseguros. Para esses servidores, a sensação foi de que uma greve considerada legítima terminou não pela conquista da reivindicação, mas diante da pressão exercida sobre uma categoria já fragilizada.
O encerramento da greve acontece, portanto, sem que a reivindicação central tenha sido efetivamente resolvida. A categoria retorna ao trabalho, mas a defasagem permanece. O que deveria representar valorização no presente foi transformado em uma promessa de recomposição gradual que se estende até 2030.
O APOIO QUE A CATEGORIA RECEBEU
Ao longo dessa mobilização, também é importante registrar e reconhecer aqueles que estiveram ao lado dos administrativos da Educação e deram visibilidade à nossa luta.
A categoria contou com o apoio da vereadora Kátia, candidata a deputada estadual; da vereadora Aava Santiago, candidata a deputada federal; do vereador Fabrício Souza, candidato a deputado estadual; de Mauro Rubem, candidato a deputado federal; da candidata a deputada estadual Ju Damando; e do candidato a deputado federal Fernando Viana.
Cada um, à sua maneira, contribuiu para dar visibilidade à reivindicação dos administrativos e para fortalecer a discussão sobre a necessidade de valorização profissional e de um Plano de Carreira digno para a categoria.
Em um momento em que os administrativos se sentiram muitas vezes invisibilizados pelo Poder Executivo, essas manifestações de apoio foram importantes para mostrar que a nossa pauta não é apenas uma reivindicação de uma categoria, mas uma questão de valorização do serviço público e da Educação de Goiânia.
É importante registrar esse apoio porque, assim como fazemos críticas àqueles que não atenderam às nossas reivindicações, também reconhecemos publicamente aqueles que estiveram presentes e se posicionaram ao lado dos trabalhadores durante a mobilização.
A todos que estiveram conosco durante essa luta, o nosso reconhecimento e agradecimento. Destacando que a greve pode ter sido encerrada agora, mas a pauta não.
Os administrativos da Educação continuam merecendo uma carreira valorizada, uma tabela atualizada e o reconhecimento de sua importância para o funcionamento da Educação Pública de Goiânia.
A luta por valorização não termina com o fim da paralisação.
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