Gracinha lidera corrida ao Senado em Goiás, mas 2ª vaga segue aberta
Pesquisa Goiás Pesquisas/Mais Goiás mostra candidata com 46% na soma dos dois votos; Gayer e Zacharias aparecem separados por 1,8 ponto percentual

A disputa por duas cadeiras de Goiás no Senado Federal começa a ganhar contornos mais definidos, mas ainda está longe de apresentar um cenário fechado. Levantamento do Instituto Goiás Pesquisas divulgado pelo Mais Goiás mostra Gracinha Caiado (União Brasil) na liderança, com 46% na soma das intenções de primeiro e segundo voto. Na briga pela segunda vaga, Gustavo Gayer (PL) aparece com 36,4%, enquanto Zacharias Calil (MDB) registra 34,6%. A diferença entre os dois é de apenas 1,8 ponto percentual.
A pesquisa foi realizada nos dias 3 e 4 de setembro, com 1.250 eleitores em todo o Estado de Goiás. A margem de erro é de 2,77 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo GO-06294/2026.
Gracinha aparece à frente
O resultado coloca Gracinha em uma posição de vantagem no atual cenário. Na soma das duas escolhas possíveis para o Senado, ela alcança 46%, ficando 9,6 pontos percentuais à frente de Gayer e 11,4 pontos acima de Zacharias Calil.
O desempenho também é consistente quando considerado apenas o primeiro voto. Nesse recorte, Gracinha aparece com 27%, seguida por Gayer, com 24,2%, e Zacharias, com 14,5%. Gustavo Mendanha (PRD) registra 4,6%, enquanto Isaura Lemos (PSB) tem 3,6% e Vanderlan Cardoso (PSD), 3,3%.
A diferença no primeiro voto, portanto, é menor entre Gracinha e Gayer do que na soma das duas escolhas. Isso mostra que parte da vantagem da candidata se consolida também entre eleitores que a colocam como segunda opção.
Segunda vaga tem disputa apertada
O cenário muda quando a pesquisa separa o segundo voto. Zacharias Calil aparece numericamente em primeiro, com 20,1%, seguido por Gracinha, com 19%, e Gayer, com 12,2%.
A diferença de 1,1 ponto percentual entre Zacharias e Gracinha é inferior à margem de erro de 2,77 pontos. Por isso, os dois estão tecnicamente empatados nesse recorte.
É justamente essa combinação de resultados que mantém aberta a disputa pela segunda cadeira. Embora Gayer esteja à frente de Zacharias na soma dos dois votos, a distância de 1,8 ponto percentual também está abaixo da margem de erro. Assim, o levantamento não permite afirmar que um dos dois esteja matematicamente consolidado na segunda posição.
Na prática, a pesquisa mostra dois movimentos distintos: Gracinha constrói uma liderança mais ampla no conjunto das escolhas, enquanto Gayer e Zacharias disputam de forma mais equilibrada o espaço restante.
Como funciona a eleição para o Senado em 2026
A configuração deste ano é diferente da eleição de apenas um senador por Estado. Em 2026, Goiás elegerá dois senadores, assim como as demais unidades da Federação. O eleitor terá, portanto, dois votos para o cargo, que deverão ser destinados a candidatos diferentes. Os dois nomes mais votados serão eleitos.
A urna eletrônica apresentará primeiro a opção referente à primeira vaga e, em seguida, a segunda vaga. O Tribunal Superior Eleitoral estabelece que, caso o eleitor repita o mesmo candidato nos dois votos, o segundo voto será considerado nulo.
Esse sistema ajuda a explicar por que pesquisas para o Senado em 2026 podem apresentar percentuais que, somados, ultrapassam 100%. Cada entrevistado pode indicar dois nomes, e as duas escolhas são contabilizadas separadamente.
Eleitorado ainda tem espaço para mudar
Outro dado relevante do levantamento é o volume de eleitores que ainda não definiram suas escolhas. Na soma dos dois votos, 23,8% não souberam ou não responderam, enquanto 11,4% afirmaram votar em branco ou nulo.
Esse contingente representa uma parcela expressiva do eleitorado e indica que a campanha ainda terá espaço para alterar posições, principalmente na disputa pela segunda cadeira.
O cenário também significa que os candidatos que hoje aparecem próximos podem ganhar ou perder espaço à medida que a campanha avance, novos fatos políticos sejam incorporados ao debate e os eleitores consolidem suas escolhas.
Outros candidatos aparecem mais distantes
Depois dos três primeiros nomes, o levantamento mostra Gustavo Mendanha com 14,2% na soma dos dois votos. Cíntia Dias aparece com 8,8%, seguida por Vanderlan Cardoso, com 8,5%.
Na sequência estão Isaura Lemos, com 6,1%; Oséias Varão, com 3,6%; Ernesto Roller, com 3%; Guilherme Darques, com 2,3%; e Iure Castro, com 1,3%.
Os números mostram uma concentração maior da disputa entre os três primeiros colocados, especialmente quando considerada a possibilidade de eleição de dois nomes.
Resultado acompanha tendência de outras pesquisas
A liderança de Gracinha não aparece apenas no levantamento divulgado em setembro. Pesquisas anteriores também apontaram a candidata do União Brasil na primeira colocação, embora com metodologias, períodos de campo e percentuais diferentes.
Em levantamento RealTime Big Data realizado entre 24 e 27 de agosto, Gracinha registrou 27%, contra 17% de Gayer, 12% de Gustavo Mendanha, 12% de Zacharias Calil e 10% de Vanderlan Cardoso. Foram entrevistadas 1.600 pessoas em Goiás, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Já a pesquisa Quaest divulgada em 27 de agosto apontou Gracinha com 21% na combinação dos dois votos, seguida por Gayer, com 12%, e pela dupla Vanderlan Cardoso e Zacharias Calil, ambos com 9%. O levantamento ouviu 804 eleitores entre 23 e 26 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais.
As diferenças entre os números não significam necessariamente contradição. Pesquisas realizadas em datas distintas captam momentos diferentes da campanha e podem utilizar metodologias e formas de apresentação diferentes. Por isso, o mais adequado é observar tendências e considerar as respectivas margens de erro, e não comparar percentuais isoladamente como se fossem medições feitas nas mesmas condições.
Disputa deve ganhar intensidade
Com duas vagas em jogo, a eleição para o Senado em Goiás tende a ser marcada por uma disputa simultânea pela liderança e pela composição da segunda cadeira.
O levantamento mais recente coloca Gracinha Caiado em posição confortável no conjunto das duas escolhas, mas não elimina a possibilidade de mudanças ao longo da campanha. Entre Gayer e Zacharias, a diferença é pequena e está dentro da margem de erro, enquanto o comportamento do segundo voto mostra um quadro ainda mais equilibrado.
Além disso, o elevado percentual de eleitores que ainda não definiram suas escolhas reforça que o cenário retratado pela pesquisa é uma fotografia do momento, e não uma previsão do resultado de 4 de outubro.
A eleição para o Senado em Goiás, portanto, chega a uma fase decisiva com uma liderança mais clara na parte superior da tabela, mas com a segunda vaga ainda aberta e sujeita à movimentação dos candidatos e do eleitorado nas próximas semanas. O resultado definitivo dependerá dos votos depositados nas urnas.
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