Estagiária denuncia secretário de Guapó por suposto assédio sexual
Investigação da Polícia Civil também apura possível importunação sexual; secretário foi afastado cautelarmente e Justiça proibiu contato com a denunciante

Uma estagiária de 20 anos denunciou o secretário de Defesa Social de Guapó, na Região Metropolitana de Goiânia, por um episódio que, segundo o relato apresentado às autoridades, teria envolvido contatos físicos e investidas de natureza sexual. O caso ocorreu em 31 de julho e é investigado pela Polícia Civil como possível assédio sexual e importunação sexual.
O secretário Hylário de Carvalho Mota foi afastado cautelarmente do cargo pela Prefeitura de Guapó. Paralelamente, a Justiça determinou medidas protetivas de urgência solicitadas pela jovem, proibindo o investigado de manter contato ou se aproximar dela e de seus familiares.
A apuração policial está sob responsabilidade do delegado André Veloso. Segundo ele, o inquérito está em estágio avançado, mas ainda dependia da realização de diligências, incluindo o depoimento de testemunhas e o interrogatório do investigado.
Denúncia relata episódio dentro da secretaria
De acordo com o depoimento da estagiária, ela estava sozinha no local de trabalho quando o secretário teria iniciado uma conversa sobre assuntos pessoais. Durante o diálogo, segundo a denunciante, surgiu o assunto relacionado a um curso de defesa pessoal e a técnicas de luta.
A jovem relatou que o secretário teria perguntado se ela conhecia ou tinha interesse em aprender determinados golpes. Em seguida, conforme seu depoimento, ele teria se oferecido para demonstrar uma técnica de imobilização conhecida como “mata-leão”.
Ainda segundo o relato apresentado à polícia, a estagiária recusou a proposta. Apesar disso, ela afirma que o secretário teria se aproximado e simulado a aplicação do golpe. A jovem disse ter conseguido se desvencilhar, mas relatou que a conduta teria se repetido mesmo após novos pedidos para que ele parasse.
O depoimento também aponta que, durante o episódio, o secretário teria segurado a jovem pelo pescoço, encostado o corpo nas costas dela e feito outras investidas físicas. Ela afirmou ainda que ele teria pedido um beijo e tocado sua cintura, pescoço e nuca.
O episódio, segundo a denúncia, terminou depois que a estagiária conseguiu afastá-lo. Conforme o relato, o secretário teria pedido desculpas e solicitado que ela não alterasse seu comportamento em relação a ele. A jovem também afirmou que, diante da situação, aceitou um abraço por medo.
Essas circunstâncias fazem parte do relato apresentado pela denunciante e ainda são objeto de investigação. A definição sobre eventual responsabilidade criminal depende da apuração policial e das demais etapas do processo judicial.
Jovem relata aproximação anterior
Além do episódio de julho, a estagiária informou às autoridades que o secretário já vinha, segundo ela, adotando comportamentos que considerava inadequados havia aproximadamente dois meses.
Conforme o depoimento, ele costumava se posicionar diante da mesa onde ela trabalhava e pedir abraços. A jovem afirmou que decidiu deixar o emprego depois do episódio que motivou a denúncia.
O delegado André Veloso informou que a relação hierárquica entre os envolvidos é um dos elementos considerados na investigação. Segundo ele, a condição de subordinada da denunciante em relação ao secretário levou a Polícia Civil a apurar, além da possível importunação sexual, a hipótese de assédio sexual.
Justiça determina medidas de proteção
Após a denúncia, a jovem solicitou medidas protetivas de urgência. O pedido foi acolhido pela Justiça, em decisão da juíza Luciane Cristina Duarte da Silva.
A determinação impede o investigado de manter contato com a denunciante ou de se aproximar dela e de seus familiares, independentemente do meio utilizado para comunicação. As restrições têm caráter preventivo e buscam preservar a integridade física e psicológica da mulher enquanto o caso é apurado.
As medidas protetivas não representam, por si só, uma condenação criminal. O secretário permanece na condição de investigado, e a investigação deverá reunir elementos para esclarecer as circunstâncias denunciadas.
Prefeitura abriu procedimento administrativo
Em manifestação sobre o caso, a Prefeitura de Guapó informou que o secretário foi afastado cautelarmente e que determinou a instauração de procedimento administrativo para apurar os fatos.
O município afirmou que a apuração deverá ocorrer de maneira rigorosa, isenta e imparcial e declarou repúdio a situações de assédio, violência ou discriminação no serviço público.
A investigação administrativa ocorre paralelamente à apuração criminal conduzida pela Polícia Civil. Enquanto o procedimento policial busca verificar a eventual ocorrência de crimes, a esfera administrativa deverá avaliar possíveis responsabilidades relacionadas ao exercício da função pública.
Investigação segue em andamento
De acordo com o delegado André Veloso, diversas testemunhas já foram ouvidas e ainda havia diligências pendentes, incluindo o depoimento do secretário investigado. A previsão apresentada pela autoridade era de que o inquérito pudesse ser concluído ainda em agosto, caso as providências restantes fossem cumpridas.
O secretário foi procurado para apresentar sua versão sobre a denúncia, mas, conforme as informações disponíveis, não havia respondido ao contato até a publicação do material.
A investigação deverá esclarecer a dinâmica dos fatos, analisar os depoimentos e demais elementos reunidos e definir se haverá indiciamento e eventual encaminhamento do caso ao Ministério Público. Até a conclusão das apurações e eventual decisão judicial definitiva, não há condenação contra o investigado.
Nota da Prefeitura de Guapó
A Prefeitura Municipal de Guapó, diante de relatos e matérias veiculadas sobre suposta conduta inadequada atribuída a agente público municipal nas dependências da Administração, vem a público esclarecer que, em estrita observância ao Estatuto dos Servidores Públicos do Município de Guapó, foi determinada a imediata instauração do devido procedimento administrativo (sindicância/processo disciplinar) para a apuração rigorosa, isenta e imparcial do ocorrido.
O processo assegurará a colheita de depoimentos, a preservação de provas, o contraditório e a ampla defesa. Por envolver a intimidade das partes, o procedimento tramita sob o sigilo resguardado por lei.
A Prefeitura de Guapó reitera seu compromisso inarredável com o combate a qualquer forma de assédio, violência ou discriminação no serviço público, prezando sempre pela legalidade, transparência e respeito à dignidade humana. Por fim, reforça que esta Gestão sempre esteve e permanece à disposição das autoridades externas, pautando-se pelo princípio da plena cooperação institucional.
Guapó/GO, 17 de agosto de 2026.
Tags: #Guapó, #Goiás, #Goiânia, #PolíciaCivil, #AssédioSexual, #ImportunaçãoSexual, #MedidaProtetiva, #ViolênciaContraAMulher, #SegurançaPública, #Investigação, #Justiça, #MinistérioPúblico, #PrefeituraDeGuapó, #ServiçoPúblico, #DireitosDasMulheres, #RegiãoMetropolitanaDeGoiânia, #GoiásUrgente, #GoiâniaUrgente


