Ex-policial civil morre após internação e investigação por maus-tratos pode ter novo desdobramento
Morte da vítima em Goiânia leva Polícia Civil a apontar possível agravamento da responsabilização criminal; Ministério Público e Justiça avaliarão enquadramento do caso.

A morte de um ex-policial civil de 66 anos, que havia sido resgatado em estado grave de desnutrição e com múltiplas lesões pelo corpo, poderá alterar os rumos da investigação conduzida pela Polícia Civil de Goiás. O homem faleceu na madrugada de domingo (26), após permanecer 13 dias internado em um hospital particular de Goiânia. O filho adotivo da vítima permanece preso preventivamente e é investigado por suspeita de maus-tratos e de apropriação de recursos financeiros do idoso.
Segundo informações da Polícia Civil, o ex-policial foi socorrido no dia 13 de julho após familiares encontrarem o idoso em condições consideradas extremamente debilitadas. O Corpo de Bombeiros realizou o resgate, e a vítima foi encaminhada inicialmente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Novo Mundo, de onde acabou transferida para atendimento hospitalar especializado.
Conforme a investigação, o quadro clínico apresentado incluía desnutrição severa, lesões pelo corpo, feridas com sinais de infecção e escaras — lesões provocadas por pressão prolongada sobre a pele, normalmente associadas à permanência contínua na mesma posição sem os cuidados necessários.
De acordo com o delegado Wladimir Freire, a certidão de óbito aponta que uma das causas da morte foi sepse decorrente das infecções provocadas pelas escaras. Ainda segundo o delegado, embora o idoso apresentasse outras comorbidades, a ausência de cuidados básicos teria contribuído para o agravamento do quadro de saúde.
A Polícia Civil afirma que a investigação também identificou indícios de apropriação dos proventos recebidos pela vítima. Por esse motivo, além do crime inicialmente apurado de maus-tratos, o inquérito passou a contemplar uma segunda linha investigativa relacionada ao patrimônio do idoso.
Morte poderá alterar enquadramento penal
Segundo a Polícia Civil, o inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário dentro do prazo legal. Com o falecimento da vítima, caberá ao Ministério Público de Goiás analisar eventual aditamento da denúncia.
Conforme explicou o delegado responsável pelo caso, a legislação prevê aumento da pena quando o crime de maus-tratos resulta na morte da vítima. Além disso, a autoridade policial destacou que a definição sobre eventual enquadramento em crime contra a vida dependerá da análise do Ministério Público e, posteriormente, do Poder Judiciário.
Assim, a alteração da tipificação penal ainda será objeto de avaliação durante o andamento do processo, não havendo decisão judicial sobre esse aspecto até o momento.
Caso teve início após atendimento médico
As investigações começaram quando o idoso foi levado para atendimento médico em uma ambulância do Corpo de Bombeiros. Segundo a Polícia Civil, familiares conseguiram acessar a residência onde ele vivia e encontraram o ex-policial em condições críticas de saúde.
Conforme o relato da investigação, o médico que realizou o primeiro atendimento identificou indícios de possíveis maus-tratos e acionou a Polícia Militar. O filho adotivo, responsável pelos cuidados do idoso, foi preso em flagrante e posteriormente teve a prisão convertida em preventiva.
Durante depoimento, segundo informações da Polícia Civil, o investigado afirmou que convivia com o ex-policial havia mais de dez anos e que a vítima possuía problemas de saúde que se agravaram ao longo dos últimos meses. Ainda conforme a investigação, ele declarou que o idoso teria recusado parte do tratamento médico.
Processo continua em andamento
A morte do ex-policial civil representa um novo elemento no processo criminal, mas não altera automaticamente a responsabilização do investigado. A definição sobre eventual agravamento das acusações dependerá da manifestação do Ministério Público e das decisões do Poder Judiciário durante a tramitação do caso.
Enquanto isso, o investigado permanece preso preventivamente, e a apuração prossegue para esclarecer todas as circunstâncias relacionadas aos fatos.
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