Mais de 70 mil ficam sem energia em Goiás por causa de pipas, alerta Equatorial
Concessionária registra aumento de ocorrências durante as férias escolares e reforça orientações para evitar acidentes com a rede elétrica

O período de férias escolares e a estiagem, que favorecem a prática de soltar pipas, também têm elevado o número de ocorrências envolvendo a rede elétrica em Goiás. Segundo levantamento da Equatorial Goiás, somente no primeiro semestre de 2026, mais de 70 mil unidades consumidoras tiveram o fornecimento de energia interrompido em decorrência de pipas enroscadas na fiação elétrica.
Os registros se concentram principalmente na Região Metropolitana de Goiânia, onde a concessionária identificou o maior número de interrupções provocadas por esse tipo de incidente. Goiânia lidera as ocorrências, seguida por Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e Trindade. Juntos, esses municípios concentram mais da metade dos casos contabilizados no estado.
De acordo com a Equatorial Goiás, o aumento das ocorrências acompanha o período mais seco do ano, quando as condições climáticas favorecem a brincadeira. Os dados mostram crescimento dos registros entre abril e junho, tendência que continua nas primeiras semanas de julho, período em que crianças e adolescentes permanecem mais tempo em áreas abertas devido às férias escolares.
O gerente de Relacionamento com Clientes da Equatorial Goiás, André Abraão, ressalta que soltar pipa é uma atividade recreativa tradicional, mas deve ser praticada com responsabilidade e longe da rede elétrica. Segundo ele, caso a pipa fique presa nos cabos ou postes, a orientação é nunca tentar recuperá-la, pois o contato com a rede energizada pode provocar acidentes graves.
Como uma pipa pode interromper o fornecimento de energia
A distribuidora explica que o problema ocorre quando a linha da pipa alcança os alimentadores da rede elétrica, cabos responsáveis por distribuir energia para bairros inteiros a partir das subestações.
Ao entrar em contato com esses equipamentos, a linha pode provocar curto-circuito. Como medida de proteção, o sistema elétrico realiza automaticamente o desligamento do circuito para evitar danos maiores à infraestrutura e reduzir o risco de acidentes.
Embora muitas ocorrências afetem um número limitado de consumidores, alguns episódios registrados em Goiás provocaram interrupções de grande porte, atingindo milhares de imóveis simultaneamente.
Cerol e linha chilena ampliam os riscos
Além das interrupções no fornecimento de energia, a Equatorial alerta para os perigos do uso de cerol e da chamada linha chilena. Os materiais possuem alto poder de corte e representam risco para motociclistas, ciclistas, pedestres e também para trabalhadores que atuam na manutenção da rede elétrica.
Segundo a concessionária, essas linhas também podem danificar cabos da distribuição de energia, ampliando o impacto das ocorrências.
Em Goiás, a fabricação, comercialização e posse desses materiais são proibidas pela Lei Estadual nº 20.454/2019, que prevê multas para pessoas físicas e estabelecimentos comerciais, além de outras sanções administrativas previstas na legislação.
Orientações para uma brincadeira segura
Para reduzir os riscos de acidentes, a Equatorial Goiás orienta que as pipas sejam empinadas exclusivamente em locais abertos e distantes da rede elétrica, evitando ruas, avenidas e áreas próximas a postes e transformadores.
A concessionária também recomenda não utilizar cerol, linha chilena ou qualquer material metálico na estrutura da pipa. Caso o brinquedo fique preso na rede elétrica, a população deve manter distância e jamais tentar removê-lo.
Em situações envolvendo cabos energizados ou qualquer ocorrência com a rede elétrica, a orientação é isolar a área, acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 e comunicar imediatamente a Equatorial Goiás por meio da central de atendimento.
A distribuidora informa que mantém monitoramento permanente do sistema elétrico e equipes preparadas para restabelecer o fornecimento quando ocorrem interrupções, mas reforça que a prevenção continua sendo a medida mais eficaz para preservar vidas e evitar prejuízos à população durante o período de férias.
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